Ginasta diz que técnico acusado de abuso sexual inibia denúncias




Em depoimento concedido nesta quinta-feira (24) à CPI dos Maus Tratos, em sessão realizada por senadores no Ministério Público do Espírito Santo (MP-ES), em Vitória, o ex-ginasta Matheus Lara voltou a acusar Fernando de Carvalho Lopes de assédio e desvio de verba de incentivo à prática esportiva quando trabalhou com o treinador no clube Mesc, em São Bernardo do Campo (SP), entre 2010 e 2013.

Lara, que desistiu da ginástica artística e atualmente é professor de Educação Física, está entre os mais de 40 ginastas que denunciaram Lopes, seja anonimamente ou publicamente, por abuso sexual, no fim de abril. Eles também apontam que Marcos Goto, coordenador técnico da Confederação Brasileira de Ginástica, não só estava ciente dos problemas como era conivente com a suposta prática.

Questionado no MP-ES, Lara relatou situações em que Lopes teria extrapolado os limites do bom senso, tocando os jovens próximo a partes íntimas. Em uma frase, ele resumiu como o treinador usava sua posição de comando para inibir qualquer reclamação dos ginastas. "Ele costumava dizer que o que acontece no ginásio, fica no ginásio", afirmou.

"Fernando sempre foi um cara bem explosivo, muito rigoroso. Agredia, xingava. Todo tipo de agressão verbal e moral acontecia. Era um caos. Eu me sentia muito mal, chegou um determinado momento que eu não aguentava mais", relatou Matheus Lara, sobre a rotina com o treinador no Mesc. "Sempre achei que ele exagerava nesse carinho. Partiu daí essa questão do assédio, do abuso sexual."

Lopes prestou depoimento ao Senado Federal, em Brasília, na semana passada. Negou as acusações e disse ser vítima de uma vingança. "Discordo totalmente. A maioria [das possíveis vítimas] nem é mais ginasta. A gente não conversava sobre isso", rebateu Lara.

O ex-ginasta também reafirmou aos senadores ter sido vítima de desvio de verba proveniente de uma bolsa de incentivo. Lara disse que no primeiro ano em que trabalhou com Lopes, em 2010, assinava recibos de pagamento, mas nunca viu o dinheiro. Se comprovado, o treinador pode ter se apropriado indevidamente de cerca de R$ 50 mil com o golpe.

Afastado de suas funções no esporte, Fernando de Carvalho Lopes responde às acusações em liberdade. A CPI do Senado solicitou a quebra de sigilo fiscal, telefônico e da caixa de e-mails do ex-treinador da seleção brasileira dos últimos cinco anos. Ele também deverá prestar um novo depoimento, em data a ser definida.



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