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Indecisão de Josué irrita aliados de Alckmin; Centrão não conta com ele





A indefinição do empresário Josué Alencar (PR) sobre aceitar ou não ser vice na chapa de Geraldo Alckmin (PSDB) ao Palácio do Planalto irritou os líderes do centrão, que já não contam com uma sinalização positiva do mineiro.

A reunião entre Alckmin e a cúpula do bloco formado por DEM, PP, PR, SD e PRB na noite desta quarta-feira (25) terminou sem que eles soubessem se o filho do ex-vice-presidente José Alencar aceitará ou não ser candidato a vice. Líderes do blocão disseram que, até o fim da noite, não haviam sido procurados pelo empresário.

Sem o desfecho desta novela, estes partidos oficializarão o apoio a Alckmin às 10h desta quinta-feira (26) sem o nome do candidato a vice, esperarão uma resposta até o meio-dia e então, reúnem-se para avaliar possíveis nomes para um plano B.

"Ajustamos um encontro depois do anúncio [de apoio], oportunidade em que esperamos ter uma confirmação de eventual concordância ou negativa por parte de Josué Alencar e, caso haja negativa, vamos nos debruçar sobre a identificação de um nome", afirmou o presidente do DEM, ACM Neto, ao deixar reunião na casa do senador Ciro Nogueira (PI), presidente nacional do PP.

Os aliados de Alckmin podem sair do novo encontro sem fechar um nome e levar opções para que Alckmin escolha.

"Não temos pressa para definir. Este é um bom problema", afirmou o ex-governador de São Paulo após a reunião desta noite. "Se [Josué] puder, ótimo. Se não puder, vamos escolher sem pressa", disse Alckmin, tratando como data limite o dia 4 de agosto, quando o PSDB faz sua convenção nacional.
Mas o discurso protocolar de paciência não é comum a todos os integrantes da aliança.

"Acho que o Josué não foi muito correto fazendo a gente esperar este tempo", disse o presidente do Solidariedade, Paulinho da Força, ao chegar à casa de Ciro Nogueira.

Josué foi indicado pelo centrão para compor com Alckmin mas, já na segunda-feira (23), mostrou-se reticente, disse que somaria pouco à campanha e deixou o tucano "à vontade" para escolher outro nome.Horas depois, integrantes do centrão já começaram a cogitar um plano B: o deputado Mendonça Filho (DEM-PE), a senadora Ana Amélia (PP-RS) e o ex-ministro Aldo Rabelo (SD-SP) foram ventilados como hipóteses.

A ordem, porém, foi refluir as especulações e tentar convencer Josué a mudar de ideia nesta quarta, mas o movimento não foi suficiente.

A relação de Josué com o PT também foi levada em consideração, segundo aliados, para o vai e vem do empresário.

Morto em 2011, José Alencar, pai de Josué, foi vice-presidente durante os dois governos de Luiz Inácio Lula da Silva. A ligação familiar histórica fez, inclusive, que uma chapa entre Josué e o candidato do PT ao Planalto -que será lançado caso Lula seja impedido de concorrer- fosse cogitada por petistas.

Lula foi o principal fiador da filiação de Josué ao PR e era simpático à ideia de que ele fosse seu candidato a vice, caso conseguisse concorrer em outubro. Preso há mais de três meses em Curitiba, Lula mantém o discurso de que é candidato, mas o partido já busca um nome de vice mais alinhado à esquerda para suprir a eventual ausência do ex-presidente na chapa.
Ao longo da quarta-feira, aliados de Alckmin chegaram a comemorar artigo publicado por Josué na Folha. No texto, o empresário diz que o tucano reúne "todos requisitos para cumprir a complexa missão que se coloca".

Mas, pessoas que conversaram com Josué nesta semana disseram que ele relatou resistência da mãe, Mariza Gomes, 83, viúva de José Alencar. "Ele não quer desobedecer a mamãe", disse o presidente do PRB, Marcos Pereira.





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