DITADURA: Jornalista foge da Nicarágua após Justiça determinar sua prisão




O jornalista Luis Galeano, diretor do programa de opinião e debate "Café com Voz", informou nesta quarta-feira (26) que deixou a Nicarágua após um juiz de Manágua, capital do país, ter determinado sua prisão, em mais um capítulo da crise que abala o país desde abril.

"Saímos do país efetivamente devido à perseguição promovida pela ditadura contra os veículos de imprensa independentes, contra jornalistas independentes", disse Galeano em seu programa, desta vez transmitido ao vivo por meio de uma rede social.

Na última sexta-feira, a emissora onde o jornalista trabalhava, o canal 100% Notícias, foi alvo de uma operação de busca e apreensão coordenada pela Polícia Nacional. Além disso, o Instituto Nicaraguense de Telecomunicações e Correios (Telecor), órgão regulador do setor, ordenou que as operadoras de televisão tirem o canal da grade oferecida aos assinantes, o que já ocorreu.

Miguel Mora, dono da emissora, e Lucía Pineda, chefe de imprensa do 100% Notícias, seguem presos desde a operação da Polícia Nacional. Os dois estão sendo acusados de fomentar e incitar o ódio e a violência, além de provocar, propor e conspirar para cometer atos terroristas.

O juiz do Sexto Distrito Penal de Manágua, Henry Morales, a pedido da promotora Lillyam Sosa, também determinou a prisão de Galeano e outros dois jornalistas: Jackson Orozco e Jaime Arellano, um dos principais comentaristas políticos da emissora.

Galeano, que trabalhou para o jornal local "El Nuevo Diário", para a Agência Efe e colaborou com a agência americana Associated Press (AP), classificou a ordem de prisão como "infame". E garantiu que, apesar de ter deixado o país, não será calado pelo governo.

"O regime de (Daniel) Ortega acredita que, ao nos tirar do país, nos prender ou nos perseguir, tudo vai acabar. Ele está errado", disse o jornalista, citando o presidente da Nicarágua.

A perseguição do governo a ONGs, veículos de imprensa independentes e jornalistas críticos, para Galeano, mostra o "rosto criminoso" que Ortega tentou esconder.

"Eles querem nos criminalizar, nos culpar pela desgraça que eles mesmos provocaram. Na Nicarágua virou crime pensar diferente, dizer as coisas que você acredita, emitir opiniões apesar da Constituição nos dá esse direito", explicou o jornalista.

Repressão estatal

A Comissão Internacional de Direitos Humanos (CIDH) alertou que a Nicarágua vive atualmente a "quarta etapa da repressão estatal", atacando jornalistas e veículos independentes de imprensa.

Nas três fases anteriores, a repressão era feita aos protestos populares pacíficos contra o governo, além de ataques armados contra cidades que criticam o presidente e a criminalização dos manifestantes.

O governo da Nicarágua expulsou duas missões de direitos humanos, uma delas da CIDH, do país na semana passada.

Desde o início dos protestos em abril, entre 325 e 545 pessoas morreram na Nicarágua. O governo reconhece apenas 199 mortes. Além disso, centenas foram presas ou desapareceram, milhares ficaram feridos e outras dezenas desistiram deixar o país.

Ortega, que está há 11 anos no poder, não aceita sua responsabilidade na crise e rechaça as acusações de abuso das autoridades contra os manifestantes. Segundo o presidente, ele foi vítima de um fracassado golpe de Estado.



Foto: Ezequiel Becerra / AFP





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