'Ele vai dar as explicações', diz Bolsonaro sobre ex-assessor do filho citado em relatório do Coaf




O presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), afirmou neste domingo (9) que Fabrício José de Carlos Queiroz, ex-assessor de seu filho Flávio Bolsonaro, vai explicar as movimentações bancárias consideradas suspeitas citadas em relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Segundo o órgão, Queiroz movimentou mais de R$ 1,23 milhão, entre 1º de janeiro de 2016 e 31 de janeiro de 2017. Ainda de acordo com o Coaf, Queiroz depositou R$ 24 mil na conta da futura primeira-dama, Michelle Bolsonaro.

Bolsonaro conversou com a imprensa na porta de casa, depois de ir ao banco e tomar água de coco na praia, na Barra da Tijuca no Rio de Janeiro.

"Ele [Queiroz] vai dar as explicações", afirmou Bolsonaro ao ser questionado sobre o assunto.

Bolsonaro foi ao caixa eletrônico um dia depois de explicar o depósito na conta da mulher, Michelle. O presidente eleito disse que o dinheiro quitou uma dívida de Queiroz com o próprio Bolsonaro e foi depositado na conta da futura primeira-dama por "questão de mobilidade", pois ele tem dificuldade para ir ao banco em razão da rotina de trabalho.

“Tenho dificuldade para ir em banco, andar na rua. Deixei para minha esposa. Lamento o constrangimento que ela está passando no tocante a isso, mas ninguém recebe ou dá dinheiro sujo com cheque nominal, meu Deus do céu”, disse o presidente durante entrevista neste sábado (8).

O relatório do Coaf também revela que sete servidores que trabalharam no gabinete de Flávio Bolsonaro, na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), fizeram transferências bancárias para uma conta do ex-assessor Fabrício de Queiroz.

Entre os nomes citados estão o da filha de Fabrício, Nathalia Melo de Queiroz, a dele, mulher Márcia Oliveira Aguiar, e também: Agostinho Moraes da Silva, Jorge Luís de Souza, Luíza Souza Paes, Raimunda Veras Magalhães e Wellington Servulo Rômulo da Silva.

"Das três pessoas que repassaram mais de R$ 4 mil ao longo de ano é duas filhas e uma esposa. Os outros cinco, um repassou R$ 800. Não repassou, botou na conta dele. R$ 800 é repasse ao longo de um ano? Ah, pelo amor de Deus", comentou Bolsonaro neste domingo.

Sistema eleitoral

Jair Bolsonaro voltou a defender neste domingo um sistema eleitoral que possa ser auditado. "Não é mudança no sistema eleitoral. Nós queremos ter um sistema que possa ser auditado. Nós queremos uma urna eletrônica que tenha uma maneira de, ao havendo qualquer desconfiança, você ter uma comprovação", disse.

Neste sábado (8), Bolsonaro afirmou, durante teleconferência na Cúpula Conservadora das Américas, que pretende levar ao Congresso uma proposta de mudança no sistema de votação no Brasil já no primeiro semestre de 2019. A cúpula foi organizada por seu filho, Eduardo Bolsonaro, em Foz do Iguaçu (PR).

Bolsonaro disse que a ideia é apresentar um projeto de lei que modifique a forma de votação. "Como se fosse em voto impresso, mas vai ter uma forma mais atualizada do que essa", explicou.





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