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OPINIÃO: Como avalio os dois primeiros anos da gestão de Márcia Lucena?



Em 5 de janeiro de 2017 entrevistei a prefeita Márcia Lucena (PSB). Tivemos uma conversa muito agradável. A recém-empossada gestora falou sobre os maiores problemas encontrados na cidade, bem como sobre os desafios em administrar o Conde.

Passados dois anos de gestão é hora de avaliar, de aplaudir os certos, de apontar as falhas e de nos prepararmos para os próximos dois anos da caminhada sob o governo de Márcia.

Em parte desse texto usarei o que foi dito por Márcia naquela entrevista. A ideia é comparar o que foi dito como compromisso com a postura sobre a determinada fala. Vamos lá?

Ah! antes que você reclame da proporção no tamanho dos textos, acredite, o peso não estão na quantidade de linhas. 

OS ACERTOS DE MÁRCIA

Naquele papo em janeiro de 2017 a gestora me falava sobre a situação na qual encontrou a cidade ao assumir o cargo. “Enfim era uma cidade com uma gestão sem gestor, uma coisa solta, sem rédeas, sem controle, sem projeto, sem propósito, sem nada”, disse.

Quando leio essas palavras e lembro do Conde de dois anos atrás, penso que em diversos aspectos administrativos e técnicos Márcia acertou.  Salários estão em dia, contas estão organizadas, a cidade está limpa em sua grande maioria. Isso é muito positivo.

Com uma ou outra crítica aqui e acolá, as secretarias parecem andar muito bem. A educação, por exemplo, é talvez a pasta mais elogiada, inclusive pelos oposicionistas.

Salários em dia representam um aspecto altamente positivo da gestão de Márcia. Ah! Mas isso é obrigação, você pode dizer.  Sim é, mas tudo que diz respeito a uma boa gestão é obrigação. Isso não me impede de reconhecer que está sendo feito.

Não ouço nada sobre fornecedores reclamando de atrasos. Isso certamente é bom. Significa que o nome da cidade passa a ser bem visto enquanto comprador. Significa que estamos recuperando a credibilidade.

Por fim, vejo como tremendamente positiva a parceria com o governo do Estado. Ela trouxe diversos investimentos e realizações para o município. Isso é excelente e não pode deixar de ser visto. E antes que você diga que com governador aliado é fácil. Eu antecipo: Quem governou antes também teve, ainda que por um período menor, o governador do seu lado.  

Certamente há outros acertos, mas acredito que esses quatro são pontos fundamentais, que revelam boa governança do ponto de vista administrativo.

OS ERROS DE MÁRCIA

“Márcia carece urgentemente, rever sua articulação política”, escrevi essa frase em 23 de fevereiro de 2017, quando ‘vazou’ um ‘áudio’ no qual a gestora falava sobre distribuição de cargos entre os vereadores da base (o que já foi explicado. Se satisfatoriamente ou não, é com você).

Passados quase dois anos, repito a frase sem tirar uma palavra. Na verdade, acrescento que se não tomar uma providência urgente quanto a isso, perderá completamente a pouquíssima capacidade de diálogo que ainda tem e comprometerá a sua gestão.

Exemplos claros da dificuldade com a articulação política são:

Perda da maioria na Câmara ao se envolver diretamente nas questões político-administrativas da Casa (isso é inegável e nada republicano).

Articulações para salvar mandato de vereador acusado de corrupção, impedir oposição de ter o controle da Câmara, difamação de vereadores, telefonema falando mal de vereador, nova articulação para não perder a Mesa da Câmara, são episódios que podem até ter dado sensação de vitória, mas que fizeram com que muitos vissem que a ‘nova política’ não é tão nova assim. Na verdade ela é bem velhinha. Isso não é vitória, é derrota.

Outro exemplo foi o imbróglio terrível envolvendo a discussão do projeto que tratava sobre o ensino da ideologia de gênero nas escolas do município. Faltou imparcialidade.

Mais um aspecto complicado na atual gestão está entrelaçado com a articulação política. Falo da dificuldade de dialogar sobre questões nevrálgicas. Antes que você cite o ‘OD’ ou o ‘Alô Comunidade’, digo que essas experiências, embora positivas, não possibilitam discussões profundas sobre os temas. Um exemplo perfeito disso foi a lastimável Audiência Pública para tratar da PGV, bem como os acontecimentos anteriores e posteriores a audiência.

A tentativa de aprovar na base da imposição, ‘a toque de caixa’, de todo jeito algo tão importante, não pode ser vista com bons olhos, não pode ser aplaudida. Ao contrário, é digno de censura das mais severas.

Talvez por isso, essa seja a maior derrota de Márcia até agora. Mesmo que ela consiga aprovar a PGV com o texto que está (acho improvável e perigoso), esse embate com os corretores é uma imensa derrota para a gestão, pois quebra ‘na emenda’ a propaganda de que o governo socialista de ML é pautado pelo diálogo.

Para mim é negativo ver muitos ataques pessoais nas redes sociais promovidos por integrantes da gestão. Márcia precisa conversar com sua equipe sobre respeito ao contraditório. Ah! Caco, isso acontece de todos os lados.  Sim, é verdade. Mas quem prometeu agir contra a prática comum foi ML. É dela que eu espero a mudança.

Não há um dia que não veja nas redes sociais pessoas ligadas a gestão atacando ferozmente aos adversários políticos. Vida pessoal é exposta como carne no açougue. Isso é algo terrível e carece ser mudado.

Antes que você me diga que a gestora não tem controle sobre isso, quero discordar. Tem sim. Se ela mandar, todos param! Todos!

Em certa medida isso é perseguição política e recordo muito bem que em seu discurso de posse Márcia disse que não haveria perseguição em seu governo. Na prática ela ainda ocorre e talvez seja pior. Não há chicote, não açoites, mas alguns da gestão (não a própria Márcia. Ao menos nunca vi). parecem adorar chicotear reputações. Isso precisa ser mudado, pelo bem do Conde.

Outro aspecto ruim dessa articulação ou relação política foi vista no episódio das caiçaras dos pescadores. Falta celeridade no diálogo e nas respostas à opinião pública. Isso faz com que os discursos sejam desencontrados e nalguns momentos incoerentes. Isso gera instabilidade e desconfiança.

QUAL MINHA AVALIAÇÃO?

Sinceramente acho a gestão muito positiva no aspecto administrativo. As realizações são inegáveis e visíveis. Algumas delas são permanentes.

Mas também de modo muito sincero, avalio como extremamente negativo o aspecto político-relacional do governo de Márcia. Tratamento, relacionamento, respeito e diálogo sobrepõem algumas realizações. 


E AGORA?

E agora relembro meu texto anterior: “Não sou o tipo que escreve para agradar, nem para desagradar. Escrevo simplesmente para compartilhar meu modo de pensar, de ver, de analisar as coisas. Qual resultado disso? Via de regra todos se desagradam, pois cada um espera ler o que gosta, o que prefere e alimenta seu ego, e normalmente isso não reflete meu pensar, minha ótica sobre os fatos”.

Muitos da oposição dirão que estou absurdamente errado por avaliar as questões administrativas como positivas. Continuo achando que são. Provavelmente existem aspectos negativos. Inclusive estou checando denúncias graves. Se confirmadas publicarei.  

Diversos da gestão me odiarão ainda mais. Alguns tentarão me ofender e talvez até me bloqueiem, seguindo um exemplo. Mas continuo pensando que o aspecto político-relacional pode afundar a gestão de Márcia.

Eu continuo no meu firme compromisso de informar e opinar com imparcialidade e respeito. Mantendo um compromisso moral com o Senhor Deus e com minha consciência, de elogiar o ‘elogiável’ e criticar o ‘criticável’.

E como cristão, mantenho firme a obediência a Palavra que me manda orar pelos governantes.

Ponto!


Ricardo ‘Caco’ Pereira





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Caco Pereira Comunicação & Consultoria. Tecnologia do Blogger.