OPINIÃO: Sobre estupro, Jesus na goiabeira e a revelação da hipocrisia vigente




Não sou nem um pouco fã do estilo ‘teológico’ da futura ministra que se apropria do oficialato de ‘Ministro do Evangelho’, sem uma comissão advinda da Escritura para tal ofício. Mas esse texto não é para falar de teologia e sim da hipocrisia dominante nesse país eivado de um pensamento esquerdista e doente.

Recordo-me que há poucos dias um grupo de artistas, intelectuais e outras figuras públicas foram as redes para protestar contra uma postura machista de Silvio Santos, em virtude de piadas de péssimo gosto que o ‘Dono do Baú’ fizera com uma artista famosa.  Obviamente as reclamações e protestos tinham certa razão de ser, embora elas também reflitam seletividade de indignação.

Essa semana, Damares, a futura ministra, falou sobre ‘sua experiência pessoal’ com Jesus, que lhe teria aparecido em um momento de imensa aflição. Mas também falou sobre os constantes e sucessivos estupros que viveu na infância. Os artistas, intelectuais, políticos e muitos outros preferiram rir, zombar, tripudiar da ‘experiência PESSOAL de Damares’.

Eles ficaram emudecidos quanto ao estupro.

As feministas não enviaram cartas de solidariedade.

Não vi hastag #SomosTodasDamares #MexeuComUmaMexeuComTodas

Não vi o Freixo, a Erundina, o Lindberg, a Fernanda Lima, a Taís Araújo ou qualquer outro artista ou político de esquerda escrevendo uma linha no Twitter ou no Instagram sobre o ESTUPRO.

Estuprada de direita é indigna de solidariedade? Crente violentada é motivo de zombaria?

Sabe o que vi? Intolerância religiosa. Agressão a fé e zombaria. Os que pousam de bonzinhos, de cheios de virtude, de solidariedade e valorização a vida humana, brincaram com a dor de Damares e mostraram quem de fato são.

São esses mesmos que ficaram calados quando foi descoberto que um certo artista famoso manteve relações sexuais com uma garota que tinha cerca de 13 anos. Mas acho que esse papo meu tá qualquer coisa...

Eles também não dizem nada sobre um certo filme com um amor meio estranho de uma certa rainha, com um adolescente.

Por aqui eles ficaram calados, exceto por uma notinha de rodapé, quando um ‘prefeitão’ agrediu violentamente a namorada. Afinal de contas, ele é do Jardim.

Enfim, vamos vivendo e percebendo que para muitos a solidariedade só existe se a dor for de gente da sua ‘corrente’, de seu time e de sua bandeira.

Eu de minha parte, sigo dizendo que a futura ministra, não é de fato ‘Ministro do Evangelho’, mas é alguém que vivenciou dores certamente indizíveis e incompreensíveis para muitos, inclusive para mim.  

Damares deve ser criticada enquanto figura política. É passível de reclamações quanto a sua forma de gerir a pasta. Mas deve ter seu culto e fé respeitados. Qualquer postura, além disso, é crime.  E você que pousa de humanista é apenas um hipócrita quando zomba da fé.

Damares enquanto mulher que foi violentada deveria receber abraços, solidariedade e amor. Mas como sua indignação é seletiva, você nem se importou e preferiu zombar, mas se há uma coisa que aprendi desde cedo é que ‘cada um dá o que tem’.


Ponto.


Foto: Sergio Lima/AFP


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