Jovem que alega ter sido vítima de padre conta como foi seduzido




Após as investigações que resultaram em uma multa milionária à Arquidiocese da Paraíba, novas denúncias de exploração sexual foram registradas. Um jovem, que fez uma dessas denúncias deu detalhes à imprensa sobre os supostos abusos.

Segundo o jovem, os abusos aconteceram quando ele tinha 16 anos de idade e frequentava a igreja.

"Eu fui criado dentro da igreja, passei lá a minha adolescência frequentando grupos. Fui violentado quando eu era crianças, com apenas 9 anos, desde que essa violência aconteceu achava que eu estava em pecado, impuro e comecei a passar por um longo período de sofrimento", disse.

Ele afirmou que o primeiro abuso não aconteceu na igreja, mas ele foi buscar na religião uma forma de superar o trauma.

"O abuso não foi na igreja, mas fui buscar a igreja para superar isso. Quando eu conheci o Padre Jaelson eu encontrei nele uma figura de um homem jovem, que tinha um poder de expressão muito forte. Ele tinha um discurso muito convincente, eu busquei nele um referencial de ajuda para aquele sofrimento que eu tinha" revelou.

O jovem revelou ainda uma agustia que carregava, o desejo de ser "curado da homossexualidade".

"Eu queria ser curado da homossexualidade eu me confessava às vezes até em espaços abertos, na sacristia da igreja ou até em algum jardim, com o padre Joelson. Ele se ofereceu para ser meu orientador, para me acompanhar espiritualmente. Ele me convidou para casa dele e eu fui", afirmou o jovem.
No depoimento o jovem disse que foi convidado pelo padre para ir a sua casa algumas vezes.

"Ele me colocou para dormir no quarto dele, em camas separadas, eu fui algumas vezes para lá e não aconteceu nada, só que numa dessas vezes eu tava num momento de muita fragilidade e eu chorava muito e um desses momento ele veio a me seduzir e eu cedi. Aquela foi uma experiência que me torturou muito, por muito tempo", revelou.

Após o episódio, o jovem disse que o religioso continuou o procurando, além de dar presentes e convidar para sair.

"Ele continuou me procurando, ele me dava presente, me levava para lanchar, para comer em lugares que eu não costumava frequentar, lugares mais caros. Eu não tinha todo esse universo que ele oferecia. Ele sempre estava rodeado de adolescentes, de meninos, então assim, era público e notório", afirmou.

O jovem relatou que depois do suposto abuso teve que procurar ajuda profissional para voltar a ter uma vida normal.

"Eu fiz terapia durante 4 anos e algumas situações que presenciei, precisei tratar. Me sentia sujo, eu me sentia culpado, me sentia safado, me sentia promíscuo. Eu não entendia que eu era a vítima. E as pessoas acham que a vítima são eles, os padres, mas a vítima é a igreja católica", disse.

O jovem finalizou o depoimento relatando que se sente acuado por não poder mostrar o rosto e denunciar abertamente tudo o que alega ter sido vítima.

Nós somos vítimas, mas infelizmente a gente não pode mostrar nosso rosto. Eu tenho medo. Tenho medo de mostrar meu rosto, tenho medo de morrer, tenho medo de ser desacreditado pelas pessoas que se dizem de bem.

O padre citado foi procurado mas as ligações não foram atendidas. Na última semana, o religioso utilizou as redes sociais para se pronunciar sobre as denúncias veiculadas em uma reportagem do 'Fantástico'.

"Diante da notícia veiculada na TV reafirmo que estou com a consciência tranquila diante de Deus e das pessoas que me conhecem. Isso é fruto somente das calúnias que levantaram contra mim. Coloco Diante do Trono de Deus essa causa. Ele fará Justiça ao seu tempo e sigo crente e confiando em Deus. Que ele conforte minha família e meus amigos verdadeiros e os irmãos na fé neste momento de provação! Cristo é nossa paz", escreveu o padre.








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