OPINIÃO: Mártir de araque

De repente, Jean Willys parou o Brasil. Partidários seus preencheram as timelines das nossas redes sociais com mensagens solidárias sem fim. E na multidão de compassivos, não escapou ninguém: Gleisi, Lula, Freixo, Amorim, o baile todo.

Adversários, por sua vez, fizeram chacota e cantarolaram "Vá com Deus" a plenos pulmões.

Mas o fato é que quase ninguém escapou incólume ao anúncio de exílio do deputado.

Com uma atuação sectária e irritante, pelo menos para os brasileiros que conseguiram escapar da lacração dos últimos anos, Willys se especializou em protagonizar polêmicas e endossar temáticas que pouco, ou nada, interferiram positivamente no cotidiano do Brasil comum.

Daí aos vivas pela sua desistência parlamentar foi um passo. A resistência queimou e ninguém parece segurar a mão de ninguém na tentativa de demover o deputado da ideia de renunciar ao mandato.

O que não se discute é que Willys elegeu como grande Satã, o atual presidente da República. Inclusive, cuspiu no atual mandatário do executivo nacional, relativizou a facada que ele sofreu e incentivou a sua militância à eternizar a patética hashtag #elenao.

Agora deve estar atemorizado. Especialmente porque as investigações sobre o caso da facada continuam e avançam.

E mais: quando Adélio Bispo, autor da tentativa de assassinato ao atual presidente, estava empurrando a faca no bucho do homem, misteriosamente a presença dele era anotada em visita à Câmara dos Deputados, com direito a registro no sistema de informática e tudo mais. Um grande, surpreendente e operoso milagre de ubiquidade. Coisa de gente mártir e ungida, é claro. Adélio, como se sabe, foi filiado ao PSOL e frequentava gabinetes de deputados federais do Anexo IV, com prodigiosa naturalidade.

Voltemos a Willys. Ao se autoexilar, sob o argumento da ameaça de morte, Willys mesmo dificulta as investigações a esse respeito. Seria essa a intenção? Onde estão as escutas, as mensagens e as provas de tão escabroso episódio? Mais uma vez com a Rede Globo?

O grande Satã Bolsonaro estaria ordenando uma caça a Jean Willys do Brasil ?

Óbvio que não. Mas a decisão do deputado quer fazer valer essa hipótese, claro. E de ilações, a imprensa tupiniquim está cheia. Diria até que as ilações estão em pé de igualdade com as pautas.

Até o momento, o que se tem, contudo, são matérias da Globo, posts de correligionários chorando pitangas e a decisão do próprio parlamentar em não retornar ao país.

Willys se despediu de Lula, abraçou o conselho de Mujica e fugiu para garantir a sua "sobrevivência". Anote aí: o resultado de tais encontros e recomendações certamente não será dos melhores.

Afinal, um país inteiro testemunhou uma faca de 12cm arrebentar com o intestino do presidente, mas ainda aguarda ansioso pelas evidências das ameaças ao referido deputado.


Julliana Veloso

Jornalista, publicitária e Mestre em Linguística. 
Atualmente, apresentadora do programa Sem Censura da Rádio Pop FM.



Foto: Reprodução/Google

Um comentário:

  1. O que nós povo brasileiro, sociedade consciente queremos é Paz,e basta de violência e feminicidio.

    ResponderExcluir

Caco Pereira Comunicação & Consultoria. Tecnologia do Blogger.