BRUMADINHO: Vale não aceita reivindicações e revolta atingidos por rompimento de barragem


Em uma reunião tensa que durou mais de 2 horas e contou com cerca de 450 moradores e produtores rurais em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, representantes da mineradora Vale não aceitaram as reivindicações emergenciais da comunidade.

A negativa da empresa gerou revolta, tensão, gritos e discussões. A Polícia Militar teve de intervir para conter um princípio de tumulto entre pessoas ligadas à empresa e os moradores do Parque da Cachoeira, um dos bairros mais afetados pelo rompimento da barragem da mina do Córrego do Feijão.

A reunião contou com a presença de representantes do Ministério Público do estado, Ministério Público Federal, Defensoria Pública da União, entidades religiosas, um gerente e dois advogados da Vale.

Esta é a terceira reunião da comunidade com a Vale e os moradores esperavam uma resposta dos representes da mineradora sobre um pedido de reivindicações feito há mais de uma semana. Eles queriam o seguinte:

Uma doação de R$ 5 mil a todos os moradores do Parque da Cachoeira;

Que a Vale assuma todas as dívidas dos produtores rurais obtidas com financiamento para as lavouras e plantações perdidas;

Um pagamento mensal de um salário mínimo a todos os moradores;

Meio salário mínimo a todo adolescente e 25% do salário mínimo por criança.
Os representantes da Vale disseram que não poderiam atender as reivindicações. Eles disseram que "precisam de informações para tomar a decisão" e "não têm autonomia para isso".

O promotor estadual André Stern, um dos líderes da negociação com a mineradora, chegou a discutir com um advogado da Vale que chamou o rompimento da barragem de acidente.

“O Ministério Público não aceita que foi um acidente. Aqui, você não vai chamar de acidente. Foi um crime. Chame como quiser, mas não de acidente”, disse o promotor.

Sterm afirmou que haverá uma reunião com a Vale na tarde da quarta-feira em Belo Horizonte, na sede da 6ª Vara da Fazenda Pública. O objetivo é tentar um acordo e liberar parte dos R$ 1,6 bilhão bloqueados pela Justiça.

Elder Magno Silva, procurador da República, tentou de todas as formas que os representantes tomassem uma decisão. Segundo ele, três pessoas apenas receberam a doação de R$ 100 mil que a Vale daria a pessoas que perderam parentes na tragédia. Segundo o representante da Vale, foram 107 beneficiados pela doação até o momento.



Foto: G1/Tahiane Stochero



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