Em reunião, Ninho do Urubu sofre interdição total e Flamengo foge de perguntas




Ana Cristina Huth Macedo, promotora de Justiça do MP-RJ, reiterou hoje que a prefeitura municipal e o Corpo de Bombeiros decretaram a interdição completa do Ninho do Urubu, CT do Flamengo, onde dez crianças morreram após incêndio no último dia 8 de fevereiro.

"Na área da infância e juventude o CT está interditado para a entrada de crianças e adolescente. Não podem entrar para nada. Quanto aos adultos não há uma decisão porque não compete à área da infância e juventude. Mas os laudos serão enviados a secretaria de arquitetura e urbanismo que deve tomar previdências. Segundo a prefeitura informou aqui o CT está interditado", diz ela.

A decisão antecipada pela promotora, que deve ser ratificada nas próximas horas, na verdade apenas fará cumprir algo que já foi estabelecido em outubro de 2017 pela administração municipal - e que o clube jamais cumprira.

“Questionamos a prefeitura por mais de uma vez e eles insistem em dizer que o Ninho do Urubu está interditado. É a conclusão que nós chegamos diante da fala da prefeitura de que o Ninho do Urubu está fechado”, disse a promotora Ana Cristina.

Rodrigo Dunshee de Abranches, do departamento jurídico do Flamengo, evitou responder questões sobre as irregularidades constadas na gestão anterior. E, pressionado, abandonou a entrevista coletiva. E não informou se o Flamengo cumprirá uma possível ordem direta de interdição.

"Quero esclarecer que sou Presidente Jurídico apenas 30 dias antes desse acidente então nós estamos tomando conhecimento. Tomando conhecimento de um ato administrativo o Flamengo vai sentar para pensar o que fazer", disse ele.

"Não tenho condição de falar da gestão passada, mas posso garantir que o Flamengo tem intenção de atender todas as requisições das autoridades. Estamos tomando conhecimento destas questões agora. Acho que não seria justo exigir desta gestão a deliberação imediata de todas as questões", disse.

Sobre a proibição de que crianças frequentem o local, Abranches tentou minimizar a decisão, que ele entende que pode ser revertida.

Em decisões administrativas, cabem recurso. Eu estou no prazo para fazer certas coisas. Eu só acho que essa questão de licença é colateral. Temos campos de futebol que não oferece risco a ninguém. As crianças não podem ir lá, realmente tá precisando melhorar milhões de coisas, o resto vai ser feito, nossa gestão está chegando agora, tá tomando conhecimento dos fatos agora e vamos fazer tudo no tempo da forma da lei", afirmou, antes de abandonar a sala.

"Até quando o Flamengo vai ser negligente não responder", foi a última frase dita, antes de Abranches, visivelmente alterado, levantar-se e sair.



Foto: Vicente Seda 


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