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OPINIÃO: Uma semana para esquecer.



Parece que o mal está à solta na Paraíba, no Brasil e no mundo. Mas se o leitor considera que o mal não existe, faça um favor a mim e a você: feche esta coluna e vá ler qualquer outra coisa.

A semana iniciou com a notícia estarrecedora de estupros ocorridos dentro do banheiro do Colégio Geo, em João Pessoa (PB), perpetrados por quatro adolescentes com idades entre 12 e 17 anos, mancomunados com o zelador de corredores, contra crianças de 8 e 10 anos. Vítimas e algozes eram alunos do colégio. Depois, prosseguiu com o choque relacionado ao massacre ocorrido na escola Raul Brasil, em Suzano. Sete alunos mortos e dois funcionários sem vida, além de um proprietário de loja que foi eliminado no trajeto dos psicopatas até escola. Os assassinos cometeram suicídio assim que a polícia chegou. No mesmo dia, o Supremo Tribunal Federal golpeou duramente a operação Lava-Jato, estabelecendo que a competência para julgar crimes como o Caixa 2 será, a partir de agora, da Justiça Eleitoral. Duas foram a cereja do bolo nesse episódio dantesco envolvendo o julgamento a gosto do freguês: o ministro Gilmar Mendes esculhambando os procuradores da operação de "cretinos" e "gentalha", e o ministro Alexandre de Moraes, cometendo primoroso ato falho, declarando "somos a favor da corrupção".

Prenderam os assassinos da vereadora Marielle e trataram imediatamente de vincular o caso ao presidente, que até hoje, tem motivos muito mais robustos para estabelecer relações de causa e efeito concretas - lembram que Adélio Bispo foi filiado ao PSOL por 7 anos e que frequentava gabinetes de suas excelências no Anexo III da Câmara dos Deputados ? A amizade era tanta que no dia da tentativa de assassinato ao então candidato, a presença do rapaz foi registrada nos sistemas de controle e segurança da Câmara. Mas o deputado federal Rodrigo Maia disse que isso foi um engano de um funcionário. A gente finge que acredita e a vida segue.

A sexta-feira chegou banhada de sangue. 49 mortos em uma mesquita na Cidade de Christchurch, Nova Zelândia. A barbárie foi transmitida ao vivo pelo Facebook.

O mundo não está para brincadeira. O mal está à solta, prosperando como nunca. Uma espécie de loucura está adoecendo as pessoas. As que sobrevivem, às vezes seguem sem o devido senso das proporções, acorrentadas aos chavões do bom-mocismo, padecendo de excessiva compreensão e dificuldade em avaliar a realidade.

A dormência antecede a necrose. O mundo caminha para o mais profundo do esgoto, enquanto mentes dominadas por um humanismo infantil vaticinam que o inferno são os outros. Ledo engano. A chama do Hades arde no coração de cada um. O mal está próximo, dentro, oculto, quase certo de explodir a qualquer dia, expondo a nossa fragilidade e incompetência de autogoverno.

A quem não crê em nada, diante do ocaso daquilo a que denominamos "civilização", resta apenas torcer para escapar da maldade que habita no coração humano.



Julliana Veloso


Jornalista, publicitária e Mestre em Linguística. 
Atualmente, apresentadora do programa Sem Censura da Rádio Pop FM.


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