Professores são afastados após denúncias de assédio em escolas estaduais da Paraíba


Dois professores foram afastados da rede estadual de ensino da Paraíba após denúncias de assédio em escolas de Campina Grande e João Pessoa. O afastamento pelo Governo Estadual, divulgado no Diário Oficial desta quarta-feira (27), determina que os dois educadores fiquem suspensos das atividades por pelo menos 60 dias, período em que ocorrem as investigações.

De acordo com o documento, a medida pode ser prorrogada por igual período. O afastamento tem caráter preventivo e o suspeito não terá o salário suspenso. Além disso, o Núcleo de Movimentação Pessoal deve realizar a substituição dos professores para que não haja prejuízo à continuidade da disciplina ministrada nas escolas.

O G1 entrou em contato com a Assessoria da Secretaria de Estado da Educação, que confirmou que os professores foram afastados das escolas e que foi aberto um processo administrativo disciplinar, em que o caso é investigado pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da secretaria.

Um dos professores afastado é suspeito de assediar estudantes do Centro Profissionalizante Deputado Antonio Cabral (CPDAC), em João Pessoa. Professor da educação básica, ele leciona língua portuguesa e foi denunciado pelos alunos, que relataram comentários de cunho sexual feitos pelo professor para estudantes da unidade.

O outro professor afastado por dois meses das funções leciona geografia na Escola Severino Cabral, em Campina Grande. Ele foi denunciado por assediar alunos e fazer comentários considerados homofóbicos na instituição. Conforme a portaria, assinada pelo secretário de Educação, Aléssio Trindade, a permanência do educador na unidade escolar pode atrapalhar as investigações.

Denúncia de alunos em escola em CG

Em Campina Grande, estudantes da Escola Estadual Severino Cabral denunciaram o professor da instituição por assédio sexual. Em depoimento à TV Paraíba na manhã da terça-feira (26), dois estudantes relataram que estavam assustados com a presença do professor na escola, localizada no bairro Bodocongó.

Segundo relato de meninos da escola, alunos do professor, existem dois Boletins de Ocorrência registrados na Polícia Civil contra ele. As denúncias dos alunos dão conta de que o professor passava a mão nas meninas, inclusive na frente de outros estudantes.

“Ele me chamava nos corredores, me puxava sempre que eu passava. Teve um dia que chegou ao ápice do problema, ele me abraçou e passou a mão na minha bunda e eu me senti muito constrangida com isso. Depois que eu fiz o boletim de ocorrência, cheguei a fazer a denúncia na secretaria, eu fui transferida de turma e ele começou a ser um pouco agressivo comigo. Ele gritava comigo, porque eu não queria responder ele, mandava eu entrar pra sala, sendo que eu não era mais daquela turma”, contou uma das estudantes à TV Paraíba.

Ainda de acordo com o relato de um dos alunos, o professor fazia comentários homofóbicos em sala. “Ele intimidava a pessoa e a envergonhava. Chegou a falar que a gente só ia pra escola pra fazer safadeza, sendo que a gente tá ali pra estudar, pra correr atrás do nosso futuro. Ele, mesmo sendo afastado, apareceu na escola. De certa forma amedronta a gente que fez a denúncia. Ele era muito agressivo com os alunos que denunciavam os abusos dele, sabe, sejam as meninas, pessoas LGBTs, ele tentava passar um medo pra pessoa, pra ela se calar. Só quem passou por tudo que ele fez sabe quem realmente ele é”.

Alunos de escola em JP fazem protesto



Na segunda-feira (25), estudantes do Centro Profissionalizante Deputado Antonio Cabral (CPDAC), localizado no bairro Valentina Figueiredo, em João Pessoa, realizaram um protesto com várias denúncias, entre elas assédio e abuso sexual dentro da instituição. Os alunos se reuniram na frente da escola e fecharam a rua por quase duas horas.

“Existe um professor aqui da escola que ele fica assediando a gente, ele fica dando ‘cantadas’ e deixando a gente constrangida”, disse uma das alunas da escola, que preferiu não ser identificada, à TV Cabo Branco.

Alguns pais também participaram do protesto. “É uma situação muito difícil, pra nós mães que temos filhos de menor dentro de um colégio, porque a gente confia na segurança da escola, no Estado”, afirmou uma das mães.

Durante o protesto, dentro da escola, um grupo de pais também se reuniu com a diretora da instituição. Em seguida, o Conselho da Escola esteve com representantes da Secretaria de Estado da Educação e do Conselho Tutelar. Segundo a diretora, não houve nenhum caso de assédio e abuso confirmado na escola, e a SEE instalou câmeras de segurança na instituição.


G1
Foto: Reprodução/TV Paraíba


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