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CONDE: A doença do desamor, o coronelismo digital e falta de esperança



Esse não é um texto sobre política, sobre conjecturas, sobre lados, candidaturas. Na verdade não é nem mesmo um texto jornalístico. É uma crônica, um desabafo, um lamento...

Cada palavra aqui digitada é resultado de um amor talhado em minha alma por uma cidade que de algum modo, insiste em permanecer impregnada em meu coração, em minha vida. Há muitos anos vivo um caso de amor pela cidade de Conde. Deus me ligou a essa cidade  e sua gente, de um modo indizível, e por mais que tente nalguns momentos, não consigo me separar desse querer por essa terra tão querida.

Meu lamento é pelo mal que desola o Conde. Pelo risco iminente de ver essa terra tão linda ser devastada por uma mazela que parece se embrenhar na cidade de um modo avassalador.

Não me refiro a malária, embora esse seja outro mal terrível que não pode ser tratado como algo casuístico, fortuito e sem importância. A malária é algo gravíssimo e que pode ceifar muitas vidas em pouco tempo. É preciso tomar providências rápidas, práticas e isso de modo urgente. O mal ao qual me refiro é mais avassalador e cruel do que qualquer mazela que atinja o corpo.

Refiro-me a um desamor desenfreado pela sua gente, falo de uma falta de empatia gritante que faz com que alguns que se acham ‘os novos poderosos’ ajam com as mesmas práticas que tanto criticaram. Antes que me mal interpretem, o texto presente é genérico; e sim, é direcionado. É direcionado a todos de todos os lados que sabem que se encaixam nele. Então, quando estiver lendo, ao sentir-se identificado (a) saiba que o texto é pra você e para todos os que de algum modo contribuem para isso.

Ameaças, xingamentos, avacalhação da imagem, da moral e da dignidade das pessoas, é algo que tem sido comum na terra de Jacoca. Pessoas têm seus nomes jogados na lama pelo fato de tecerem críticas, de discordarem, de caminhar noutro rumo. Isso é terrível. Repito: Isso está em todos os lados. A isso chamo de 'novo coronelismo' ou 'coronelismo digital'.

Essa guerra pautada por um ódio travestido de seriedade e de zelo tem tomado conta de muita gente que até outrora se portava de um modo cortês, amigo e tolerante com os que pensavam diferente. Claro que a cidade precisa de seriedade, mas isso não significa indiferença, inflexibilidade e falta de empatia. Zelo e seriedade não podem ser confundidos com intransigência e desamor. 

Há na cidade um medo da retaliação, da desonra. O açoite que causa medo não é o físico (embora há quem se diga com esse temor também), mas impera o açoite moral. Os ‘capitães do mato’ operam no mundo virtual, por meio de personagens ‘fake’, que esperam apenas as ordens de seus ‘donos’ para atacar, ofender e devastar as imagens das pessoas que não lhes são desejáveis ou perderam a utilidade.

O ‘pelourinho’ são as plataformas das mídias sociais e os aplicativos de mensagem. Os grupos de WhatsApp viraram lugar de ‘chicotadas’, de ‘açoites’, de ameaças e de espionagem. Os espiões ficam calados fazendo apenas o jogo sórdido do 'leva e traz'. Os bajuladores de plantão fazem questão agir como franco-atiradores disparando contra tudo e contra todos que se opões aos objetos de seu falso amor. 

Pela ‘doença do desamor’, pelo ‘coronelismo digital’, pelos açoites e por tudo mais que tem imperado nessa cidade, vejo o Conde sem esperança. A terra que reúne ‘todos os brasis de um só Brasil’, pela sua diversidade de povos e culturas, se vê acanhada, infeliz e com medo de dizer o que pensa, o que sente. 

O medo resultante dessa doença devastadora do desamor é alimentado pelo 'coronelismo digital' e pelos 'capitães do mato' do mundo virtual, que se acham empoderados, mas nem percebem que são meros fantoches sustentados sabe-se lá por que ou por quem, e que no momento que perderem a utilidade estarão do outro lado recebendo os mesmos açoites e sendo vítimas das mesmas práticas que hora executam. 

Diante disso tudo, vejo o Conde sem esperança, sem perspectivas e sem amor...



...reticências... (na esperança de que a história seja reescrita



Caco Pereira








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Caco Pereira Comunicação & Consultoria. Tecnologia do Blogger.