OPINIÃO: O fundo do poço jornalístico não tem fundo



Reza a lenda que a atividade jornalística factual deve trabalhar a partir da mais estrita observância à realidade e à necessária apuração desta. Deve somar a este dever o compromisso de prover o público de informações relativas ao fato reportado, utilizando a voz do verbo na 3ª. pessoa do singular, evitando adjetivos e advérbios - estratégia linguística que consolida o distanciamento entre o repórter e o fato - e, assim, garantir ao público um mínimo de confiança sobre o que está sendo veiculado. Deve também apurar e checar a veracidade das informações que divulga, sob pena de perder para sempre a credibilidade de poder noticiar, ainda que seja uma simples quermesse de interior.

Isto tudo faz parte do 'metier' da profissão. Ou fazia. Em tempos de pós-verdade, as premissas anteriores são como itens de antiquário, mofados pelo desuso e ridicularizados pela falta de escrúpulos, tão escassos, quanto naturais em outros tempos de bom jornalismo.

Ignorando os bons mandamentos da imprensa, parcela significativa e importante da mídia nacional - e local, por osmose, diga-se de passagem - vem submetendo o povo a um stress informacional sem precedentes. Isto porque a grande mídia estrebucha  querendo fazer prevalecer uma narrativa que não condiz com a realidade dos fatos, enquanto o povo, carente de profissionais de imprensa éticos, segue fazendo Jornalismo com as próprias mãos e - pasme - apurando as informações muito melhor que os ditos profissionais da Imprensa.

O caso é muito sério: alguns jornalistas abandonaram o dever de informar para iludir, dissuadir, dissimular ou simplesmente, falsear, mentir e acusar.

A "Vaza-jato" é um exemplo da morte do jornalismo de vergonha: é um circo midiático, baseado em histeria total, ou, no total vazio informacional, pois a criminalização forçada a que querem submeter o Ministro da Justiça, Sérgio Moro, está baseada no vazamento de conversas obtidas de forma ilegal, já sabidamente adulteradas, atribuídas a pessoas que sequer ocupavam os cargos que os denunciantes insistiam que ocupavam, em datas que tão pouco faziam parte do período a que os fatos foram atribuídos.

Neste lodo pantanoso, vimos incorrer a Folha de São Paulo, para depois em editorial procurar se eximir da irresponsabilidade com que propalou a tal lambança, reconhecendo que não havia ilegalidade na conduta do então juiz Moro. Mas já era tarde demais. A Veja, como a Folha, em sua sanha de acabar com o Governo Federal, sequer checou os autos dos processos que utilizou para questionar a imparcialidade de Sérgio Moro, forçando o cidadão, novamente, a apurar o caso por conta própria: constatando que, o outrora juiz de primeira instância, havia absolvido os nomes que a revista insistia terem sido prejudicados por Moro.

O The Intercept, por sua vez, originou a coisa toda divulgando as tais mensagens carentes de credibilidade, não as submetendo à perícia, repetindo de modo nauseante a versão petista e classificando o processo que condenou Lula à cadeia, confirmado por quatro instâncias (13a Vara de Curitiba, TRF-4, STJ e STF) de "corrupto e viciado".

O poço não tem fundo. Nele caíram a Veja, que não verificou as sentenças do Ministro Sérgio Moro, caiu a Folha, na sanha de derrubar o Governo de Jair Bolsonaro e caiu Greenwald, que parece estar implicado em uma trama obscura e perigosa envolvendo participação ativa em ciberterrorismo, compra de mandato, mesada parlamentar, falso testemunho, entre outros casos.

A velha imprensa, portanto, se assemelha ao velho modo de fazer política: apresenta-se pura e casta em público, todavia se porta como experiente prostituta em particular. E aliás, como prostituta,  quando paga, segue atendendo aos desejos do freguês, ainda que seja o sacrifício da verdade.

O povo torce para que do fundo deste poço, uma nova imprensa resplandeça, porque já não aguenta mais as tentativas jornalísticas de querer fazê-lo de otário. (Essa função já é desempenhada com louvor pelos políticos).Enquanto isto não acontece, segue fazendo Jornalismo com as próprias mãos e desmoralizando, diuturnamente narrativas desprovidas de ética, verdade e compromisso genuíno com a informação.




Jornalista, publicitária e Mestre em Linguística. 





Nenhum comentário:

Caco Pereira Comunicação & Consultoria. Tecnologia do Blogger.