Presidente do Peru anuncia dissolução do Congresso e convoca novas eleições legislativas



O presidente do Peru, Martín Vizcarra, anunciou nesta segunda-feira (30) que vai dissolver o Congresso peruano e convocar novas eleições após sofrer derrota no Parlamento (leia mais no fim da reportagem).

Em discurso na televisão, o peruano acusou o Congresso de bloquear reformas anticorrupção. A maior parte dos parlamentares está na oposição a Vizcarra, que assumiu o poder após a queda de Pedro Pablo Kuczynsky, em 2018.

"Que seja finalmente o povo que decida. O fechamento que decidi está dentro de minhas prerrogativas presentes na Constituição, colocando um fim a esta etapa de bloqueio político", afirmou.

A medida está prevista na Constituição peruana – segundo o texto, o presidente tem a prerrogativa de dissolver o Congresso e convocar eleições legislativas caso os parlamentares neguem confiança ou censurem o Conselho de Ministros.

A oposição, liderada por apoiadores do ex-presidente Alberto Fujimori, protestou contra a decisão. Alguns parlamentares fujimoristas chamaram a medida de "ditatorial".

"Eles pensam que aqui é uma monarquia, é isso que eles querem impor", afirmou Milagros Salazar, porta-voz do partido fujimorista Força Popular.
Por que o presidente decidiu fechar o Congresso?

A origem da crise está na decisão do Congresso de eleger integrantes do Tribunal Constitucional Peruano nesta segunda-feira. O presidente Vizcarra considera a medida uma forma de a oposição controlar o Judiciário.

Para evitar a nomeação, o primeiro ministro Salvador del Solar – que representa Vizcarra no Parlamento – entrou nesta segunda-feira com uma proposta de reforma na nomeação dos juízes do Tribunal Constitucional. Essa proposta estava vinculada a uma moção de confiança, que, em caso de rejeição, permite que o presidente dissolva o Congresso e convoque novas eleições.

Os parlamentares simplesmente não votaram a proposta do governo. Assim, Vizcarra considerou a medida rejeitada e, então, fechou o Congresso.

Vizcarra assumiu a Presidência do Peru em 2018, após a renúncia de Kuczynsky. O ex-presidente foi acusado de corrupção em caso relacionado à empreiteira brasileira Odebrecht – as investigações, inclusive, receberam o apelido de "Lava Jato peruana".





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