502 anos: Da Reforma à Deforma

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Há exatos 502 Deus levantou um homem para ser a voz de uma grande reforma que mudou absurdamente os rumos da Igreja Cristã. Martinho Lutero não foi simplesmente um pregador idealista, um líder com um ‘toque’ de loucura santa no coração. Foi um profeta de Deus e um pastor por Ele levantado no meio de um sistema eclesiástico e político completamente corrupto.

A Reforma afirmou e gritou que a salvação é pela graça, sem méritos. Fez ecoar nos rincões da Europa o sacerdócio universal de todos os santos, evidenciando que o clero era um meio de dominação contrário a Escritura. Lutero tornou claro que Cristo e somente Ele é o Senhor da salvação. Acima de tudo, a Reforma Protestante bradou que a Bíblia é a voz de Deus e que deve ser lida pelo povo livremente e que Ele, somente Ele é digno de toda honra, glória e louvor.

Depois de 502 anos fico a perguntar-me se realmente vivemos sob a égide dos ensinos dos reformadores. Questiono-me se de fato cremos nos ensinamentos de Calvino acerca da Soberania de Deus, se verdadeiramente amamos a Escritura e se pautamos nossas vidas pelos conceitos, normas e conselhos da Santa Palavra.

Quando ligo a televisão, ouço as músicas ou vejo os sermões pregados nos púlpitos das ‘igrejas’ sinto-me completamente angustiado. Vejo um misticismo semelhante ao da idade média. Pessoas adoram coisas, amuletos e idolatram líderes vis, nocivos e ensimesmados. Há sempre um bispo ou apóstolo que se coloca como autoridade infalível e que é adorado como um “papa evangélico”.

As “doutrinas da Graça” têm sido postas de lado e dá-se vez as heréticas teologias de um “deus” retribuidor que nada mais é que “um banco de bênçãos” e a igreja não passa de um “caixa rápido” onde os “crentes” depositam suas ofertas e pegam as “bênçãos”.

É de partir o coração ver que assim como na Idade Média os crentes não leem a Bíblia, andam alucinadas seguindo guias cegos que apenas decretam o que as pessoas devem crer. A diferença é que na Idade Média o povo não tinha acesso a Escritura, sua leitura era proibida.

Infelizmente a Reforma parece não ecoar nos púlpitos, nas músicas e na prática cristã em nosso tempo. É inevitável reconhecer que vivemos uma época que partimos da Reforma à Deforma. Somos ensimesmados, egoístas, desprovidos de amor e de anseio verdadeiro pela doutrina da graça de Deus.

Carecemos urgentemente não de uma nova Reforma, mas de um retorno inegociável às antigas doutrinas da Reforma. Carecemos de avivamento! Carecemos de povo de Deus quebrantado pelo poder do Espírito, sendo transformado pela Santa Palavra e vivendo para a glória do Grande Rei.

É fundamental, urgente e indispensável que reafirmemos e vivamos sob a Escritura como única regra de fé e prática, que amemos a doutrina da graça, que solapemos do trono todos os dominadores do rebanho e que nos disponhamos a pormo-nos ajoelhados diante do Trono da Graça.

Depois de 502 anos da Reforma e em meio a tamanha ‘Deforma Protestante’, sinto paz pela convicção de que em meio a toda essa “bandaieira do gospi” Deus tem levantado remanescentes fiéis. Ele tem erguido homens sérios, comprometidos, piedosos. Gente que O teme, ama e busca viver para Sua glória.

Apesar de um cenário triste e angustiante, o Senhor Deus tem preservado um remanescente fiel, um povo seu, zeloso de boas obras. Uma gente que sabe a quem pertence e para quem vive. Esse povo é parte da noiva fiel. Aquela bela noiva que no grande Dia do Senhor será arrebatada para o encontro com o Senhor nos ares (Leia 1Tessalonicenses 4.13-18), e então, com o Noivo estará eternamente na Nova Terra.

Crer nisso traz refrigério, consolo e esperança. Mais que isso, crer na preservação da Noiva do Cordeiro é combustível para a alma de quem deseja viver para glória do Senhor! 

Tenho plena convicção de que a Igreja do Senhor sairá vencedora, não pela sua capacidade de ser fiel, mas porque ELE é a nossa segurança e certeza da vitória. Ele nos conduzirá novamente da Deforma à Reforma! Ele é Poderoso para nos conduzir e nos apresentar no Grande Dia, imaculados, puros, santificados (Leia Judas 24).

Que essas certezas nos conduzam de volta aos caminhos da Reforma.

Que Deus nos bendiga!



Rev. Ricardo Pereira
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Foto: Reprodução/Pixabay



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