Indonésio que ajudou a endurecer leis contra adultério é punido com 28 chibatadas por adultério




Um líder religioso islâmico — que fazia parte da organização que ajudou a elaborar leis mais duras contra o adultério na Indonésia — foi açoitado em público após ser flagrado tendo um caso com uma mulher casada.

Mukhlis bin Muhammad, membro do Conselho dos Ulemás de Aceh (MPU, na sigla em inglês), um influente órgão religioso, foi punido com 28 chibatadas.
A mulher com quem ele teve o caso foi açoitada 23 vezes.

Mukhlis, de 46 anos, é da região de Aceh, profundamente conservadora e o único lugar na Indonésia em que a Sharia, a rígida lei islâmica, é aplicada.

Lá, o sexo gay e os jogos de azar também são puníveis com castigos físicos públicos.

"Esta é a lei de Deus. Qualquer um deve ser açoitado se for considerado culpado, mesmo que seja membro do MPU", afirmou Husaini Wahab, vice-prefeito do distrito de Aceh Besar, onde Mukhlis mora, à BBC News Indonesia.
Wahab anunciou ainda que Mukhlis seria expulso do MPU, órgão que assessora o governo local e o legislativo na elaboração e implementação da lei islâmica.

Ele é o primeiro líder religioso a ser açoitado publicamente na região, desde que a Sharia entrou em vigor em 2005.

O casal foi flagrado pelas autoridades, em setembro deste ano, dentro de um carro estacionado perto de uma praia turística. E o açoitamento público aconteceu na quinta-feira.

A região de Aceh recebeu autorização especial, há mais de uma década, para introduzir suas próprias leis islâmicas radicais.

Leis contra a homossexualidade foram aprovadas em 2014 e entraram em vigor no ano seguinte.

O sexo extraconjugal, os jogos de azar e o consumo, produção e distribuição de álcool também são considerados ilegais pela Sharia.

Em 2017, dois homens foram condenados a 83 chibatadas, em Aceh, por terem mantido relações sexuais entre eles.


Foto: Chaideer Mahyuddin/AFP



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