Senadora se declara presidente interina da Bolívia



Em sessão extraordinária nesta terça-feira, 12, a presidente interina da Assembleia Legislativa Plurinacional, Jeanine Áñez, se declarou presidente da Bolívia. A medida foi anunciada após mais de dois dias de vácuo no poder do país desencadeado pela renúncia de Evo Morales no início da semana.

“Assumo de imediato a presidência e me comprometo a assumir todas as medidas necessárias para pacificar o país”, disse Áñez no plenário do Senado, um dos dois órgãos que compõem a Assembleia, que estava com menos de metade de seus membros presentes.

Em caso de renúncia presidencial, segundo a Constituição da Bolívia, a linha de sucessão começa com o vice, seguido pelo presidente do Senado e termina com o presidente da Câmara, sem previsão caso este se ausente também.

Entretanto, desde a saída de Morales, no domingo 10, todo esses cargos ficaram vagos. No mesmo dia, Alvaro García Linera, vice de Morales, Adriana Salvatierra, então presidente do Senado, e Víctor Borda, então presidente da Câmara, renunciaram. Os três representavam o partido do ex-presidente, o Movimento para o Socialismo (MAS).

No espaço deixado por Salvatierra, Áñez, que era apenas vice-presidente da câmara alta antes da renúncia de Morales, assumiu a presidência do Senado na sessão iniciada por volta das 19h (20h, em Brasília). E, assim, se declarou presidente.

Nesta mesma terça-feira, 12, a Câmara dos Deputados — o outro órgão da Assembleia — se reuniu em sessão extraordinária para formalizar a renúncia de Evo Morales. Mas, sem quórum devido ao boicote dos correligionários de Morales, a Câmara cancelou a sessão.
“Antes de mais, nós nos devemos à Constituição. Nós trabalharemos sempre pela viabilidade de uma saída constitucional, e trabalharemos por e para o povo, mas pedimos as amplas garantias”, disse a líder do MAS na Câmara, Betty Yañiquez, se referindo à segurança de seus correligionários para chegar ao prédio da Assembleia.

O MAS controla ambas as casas da Assembleia Legislativa Plurinacional, com 88 deputados, de um total de 130, e 25 senadores, de um total de 36, o que impossibilitou a presença mínima de 66 deputados e 19 senadores para que a renúncia de Morales e de todos os parlamentares fosse formalizada em ambas as casas, como reportou o portal de notícias argentino Infobae.



Foto: Carlos Garcia Rawlins/Reuters

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