OPINIÃO: Porta dos Fundos zombando da fé e a ‘nossa culpa cristã’



A indignação toma conta das redes sociais em virtude de um novo vídeo do ‘Porta dos Fundos’, em ofensa ao cristianismo. Diversos pastores publicaram ‘textões’ manifestando reprovação. Obviamente concordo com o sentimento e endosso a maioria dos ‘textões’ que reprovam o vídeo e seus autores. Porém quero chamar atenção para ‘nossa culpa cristã’ pelo lixo cultural que toma conta desse país. Por favor, leia com atenção, acompanhe meu raciocínio e reflita. (Antes de continuar, por favor leia Romanos 12.1,2).

Nós cristãos somos culpados, primeiro porque não produzimos arte pautada numa cosmovisão bíblica e apenas reclamamos do lixo produzido por aqueles que odeiam ao Senhor.

Ao longo dos anos pastores pregaram e ainda pregam contra a música, o teatro, o humor e as mais diversas manifestações artísticas. Existe uma espécie de censura à possibilidade de cristãos produzirem músicas populares, por exemplo. Crentes não podem cantar o amor, exceto ao Senhor. É como se cristão não amasse, não sofresse por amor ou se o amor por outra pessoa fosse indigno de ser cantado. Pior ainda é para o cristão que ousa cantar MPB. Ele é praticamente ‘excomungado’ das igrejas cristãs. Certamente você conhece alguém que foi ‘posto de lado’ por isso. Talvez você mesmo tenha passado por isso. Para muitos, cantar 'Um amo puro' de Djavan é diabólico, mas bradar que a vitória tem sabor de mel é divino. 

Mas espera um pouco, quem mais poderia cantar o amor senão aquele que conheceu de fato o Amor?! Quem mais poderia cantar a vida senão aquele que renasceu para uma nova vida em Cristo?

Nós cristãos somos culpados quando olhamos para a ofensa que o 'Porta dos Fundos' cometeu, mas nos calamos com o lixo cantando em nossas igrejas. Músicas antropocêntricas, egocêntricas. Canções que são qualquer coisa, menos adoração ao Senhor. Triunfalismo tolo, revanchismo, autoajuda e uma porção de lixo que ofende a honra e vai de encontro a Soberania do Deus Todo Poderoso. O que dizer de 500 graus de puro fogo e poder? Ou das unções de ousadia, conquista e multiplicação? Como nos indignamos quando um ímpio zomba do Senhor em um vídeo asqueroso, mas não percebemos a zombaria revanchista e doentia da tal vitória com ‘sabor de mel’?

Somos culpados quando essa indignação é uma mera ‘modinha’, que não faz desligar TV, extirpar completamente de nossa programação familiar toda e qualquer programação que ofenda o nome do Senhor. Somos desgraçadamente culpados porque não cancelamos a assinatura de canais que reverberam a ofensa ao nosso Deus. Somos culpados porque não odiamos o que Ele odeia! Porque não reprovamos de fato, o que Ele reprova!

O nosso ódio ‘modinha’ se revoltou outro dia com um final de uma novela que apresentou a falsa conversão de uma psicopata. Mas nos calamos quando essa mesma novela propagou diversas relações sexuais antes e fora do casamento, quando tratou promiscuidade como algo normal, quando ‘justiceiros/pistoleiros’ foram transformados em mocinhos e toda forma de ‘amor’ foi tratada como normal. Só ficamos enraivecidos porque a religião foi atacada. Não indignamos porque a Rede Globo descaradamente zomba das verdades por nós cridas. Não nos revoltamos com a relativização das verdades essenciais. Nossa preocupação é com o ataque ao ‘clube da fé’ e não ao Rei Santo, Santo, Santo! Somos hipócritas!

O mais asqueroso é não contribuímos como deveríamos para arte desse país, reprovamos e tratamos como espúrios os cristãos que de algum modo fazem isso, e o pior: ainda absolvemos o modelo de entretenimento bestial e meramente comercial da ‘arte’ brasileira. Fazemos paródia, inventamos cultos, eventos que nada mais são do que cópias mal feitas dos espetáculos horrendos que desagradam ao Senhor. 

Ah! pastores, nós somos culpados quando reprovamos tudo que está na arte ‘fora da igreja’, como se absolutamente qualquer coisa produzida por não cristãos deixasse de possuir beleza e fosse diabólico. Meu pensamento está nem distante disso. Já disse uma vez e repito: Não aguento música sem cultura, sem poesia. Não consigo escutar 500 graus de muito fogo e poder quando posso ouvir Aquarela.

Acredito com toda força da minha alma que carecemos de cantores, atores, escritores, musicistas, pintores, humoristas, enfim, o Brasil precisa de uma arte que traga sim prazer, alegria, que faça rir e chorar, mas que não ofenda o caráter do Grande Rei.

Uma cosmovisão cristã deve nos levar a aplaudir as belas manifestações artísticas, sejam quem forem os artistas. Mas essa mesma cosmovisão nos fará odiar toda e qualquer prática que sob o pressuposto de arte ou de licença poética, atacar a Glória do Soberano Deus.

Que Deus levante dentre nós homens e mulheres que através da arte nos façam deleitar nossa alma e adorar ao Senhor que concede talentos aos homens e os permite alegrar os corações. E que Ele nos ensine a reprovar severamente tudo o que Ele reprova. Inclusive o lixo gospel!

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Pr. Ricardo Pereira
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Foto: Divulgação/Netflix


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