OPINIÃO & FÉ: Julgue a coisa certa



“Não julgueis” é, por certo, uma das frases mais deturpadas das Escrituras. Em nome de um cumprimento a esse mandamento de Jesus, homens e instituições estão fechando seus olhos a pecados graves, doutrinas de demônios e filosofias escusas.

“Julgai entre vós mesmos,” “os outros julguem,” “julgai os espíritos para saber se procedem de Deus,” por outro lado, também são textos que precisam ser compreendidos pelos que julgam mais do que convém.

Então, busquemos o equilíbrio bíblico nessa questão.

A Bíblia não nos incentiva ao caos quando se trata de juízo, muito pelo contrário, ela nos ajuda a cumprir nossas funções, até mesmo como aqueles que estamos em preparo para “julgar o mundo.”

Como crentes, somos instados a julgar a pregação da Palavra de Deus; era isso que os Bereanos faziam e eram louvados pelo Apóstolo, pois não simplesmente aceitavam a pregação, ainda que fosse de Paulo, caso ela não estivesse de acordo com a Palavra de Deus. É necessário julgamento, reprovação do erro e busca constante pela verdade.

Em matérias disciplinares, a Palavra de Deus é extremamente cuidadosa. Ela nos manda separar de falsos irmãos que vivem indissolutamente, o que é impossível ser feito sem que se haja um julgamento.

Entretanto, tais julgamentos não devem ser feitos ao bel prazer de nossa consciência individual, mas um processo bem elaborado e espiritual é estabelecido, até que, em última instância, os presbíteros terão que assumir a dura responsabilidade de julgar, disciplinar, punir.

E que responsabilidade tremenda, como pecadores que somos, receber as chaves do Reino para exercer juízo sobre outros pecadores. Para isso, somos lembrados a exercer o juízo com misericórdia, diligência e, sem duvidas, temor e tremor; mas sem frouxidão ou preferências pessoais.

Esses julgamentos acima, por mais difíceis e constrangedores que sejam, são essenciais para a pureza da igreja e para a vida espiritual do filho de Deus, mas são muito negligenciados por aqueles cuja Bíblia só tem uma frase, “não julgueis.”

O outro lado dessa moeda do juízo, recai naqueles que compreendem o espaço que temos para julgar, entretanto, com muita facilidade, vê-se esse limite sendo elastizado para além dos das Escrituras.

Em lugar de julgamentos objetivos onde heresias e quebras do Decálogo são feitos em amor, vemos julgamentos secundários, baseados em esteriótipos, tradições e regras humanas, tantas vezes olvidando que “o homem vê o exterior, mas o Senhor julga o coração.”

Com esses princípios em mente, julguemos uns aos outros, mas lembremos sempre que “Com a medida com que julgardes, sereis julgados também.”

No amor de Cristo, o Justo Juiz.


Rev. Samuel Vitalino
Pastor Presbiteriano

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