OPINIÃO: Era um vírus que faltava




A sórdida tentativa de uso político da pandemia de Covid-19 escancara a podridão da já putrefata classe política e jornalística nacionais.

Nos últimos dias assistimos pasmos a Globo e a Bandeirantes descascarem, sem o menor pudor, o presidente Bolsonaro, pintando-o como um inepto total e completo imbecil.

Verdade seja dita que o comportamento carnavalesco do presidente, indo ao encontro dos manifestantes do dia 15 de março, forneceu a pólvora necessária para a artilharia da oposição. E nisto, Bolsonaro errou feio. Porque ninguém está disposto a arriscar o pescoço por uma demagogia, não é verdade? Idolatria tem limites e estupidez também. (Assim espero)

Mas daí a utilizar uma situação grave e mortal para golpear a República e declarar a incapacidade e inaquedação de Bolsonaro para o cargo é demais.

Além da instabilidade social, buscam alimentar a instabilidade política, com discursos delirantes como o da deputada estadual Janaína Paschoal, vociferando que as Forças Armadas não devem obediência ao presidente. (Não a este, é a entrelinha da dileta senhora).

Dória e Witzel, antes nadando na sarjeta da aprovação popular, foram convertidos em estadistas dignos de assento na ONU, pelos sistemas acima mencionados, da noite para o dia!

E verdade seja dita novamente: Bolsonaro não se ajuda, sabemos. O jeitão de tiozão do pavê nessas horas não dá. Mas é imperioso recordar que foi ele quem nomeou Luiz Henrique Mandetta para o Ministério da Saúde, que está sendo elogiadíssimo pela postura à frente da crise. E ninguém botava fé no cidadão, confere?

Culpar Bolsonaro pelo avanço do Corona é de uma simplificação aterrorizante. Mas os estúpidos nacionais estão se lixando para a coerência. Lançar o país no caos político, sanitário e social é mais importante. Estes abutres estão pouco se importando para o resultado da hecatombe que desejam fomentar.

E em meio a tudo isto, faço a você, caro leitor, uma pergunta:

Onde está o general Mourão?  Criticando Eduardo "Bananinha" Bolsonaro, ora essa! Até porque, receber ameaças do embaixador da China está tudo bem, porque só um imbecil ainda não percebeu que soberania nacional é conceito pra inglês ver, né verdade? Mas fora o Twitter, que se converteu no parlatório oficial da política nacional, não vimos na mídia de massa nem um pio nem um tweet, nenhum post... Nada que se refira ao vice-presidente.  Só um ensurdecedor e incompreensível silêncio, rompido apenas por Janaína Paschoal, aos berros, na tribuna da Alesp, clamando pela tomada de poder pelo general, mais capaz - na percepção da parlamentar - que um capitão de lidar com o pandemônio. Que brilhante a relação de causalidade por ela detectada!

Eu não me surpreenderia se por trás de todo o caos, a trama para depor um presidente estivesse em pleno andamento, com os seus porta-vozes sugerindo a plenos pulmões esta saída.

Mas isto é só delírio de colunista mesmo. Afinal de contas, Globos, Bandeirantes, Janaínas, embaixadas e outros personagens, só querem o bem do Brasil.

Vilão mesmo é só Bolsonaro. Até o Corona-vírus é apenas uma gripezinha perto dele.




Jornalista, publicitária e Mestre em Linguística.
Foto: Carolina Antunes/PR

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