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João Pessoa

Opinião: Se facção controla bairro, quem governa a cidade?

A declaração do prefeito interino de Cabedelo, Edvaldo Neto, de que facções criminosas enviaram recados por intermediários para negociar acesso a comunidades durante o período eleitoral é alarmante. Não se trata de um episódio trivial de campanha, mas de um sintoma grave: a política sendo pressionada por organizações criminosas que passaram a controlar territórios e impor regras dentro da própria cidade.

Quando criminosos decidem quem pode ou não entrar em determinados bairros, o que está em jogo não é apenas a disputa eleitoral — é a autoridade do Estado. Nenhuma democracia saudável pode aceitar como normal a existência de áreas onde candidatos dependem da “permissão” do crime para circular e dialogar com a população.

O problema se torna ainda mais inquietante quando lembramos que a cidade já viveu escândalos envolvendo o ex-prefeito Vitor Hugo, hoje inelegível após investigações que apontaram ligações de pessoas ligadas a facções dentro da administração municipal. O histórico recente deveria servir de alerta máximo, não de roteiro repetido. Daí surge uma pergunta inevitável: mudaram-se os nomes e as relações foram mantidas?

Facção não é liderança comunitária, não é mediadora social e muito menos interlocutora política. Facção é organização criminosa. E democracia nenhuma sobrevive quando a política passa a conviver com o crime como se fosse apenas mais um ator do jogo.

Se candidatos precisam negociar acesso a comunidades com criminosos, algo profundamente errado já aconteceu. Nesse cenário, antes mesmo de abrir as urnas, quem corre o risco de sair derrotada é a própria democracia, é o povo de  Cabedelo.

Por fim, surge mais pergunta que merece resposta:  Se facção controla bairro, quem governa a cidade?

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