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João Pessoa

CENSURA? Moraes manda PF à casa de jornalista do Maranhão que criticou Dino

A decisão do ministro do Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que determinou nesta terça-feira (10) uma operação de busca e apreensão da Polícia Federal na residência do jornalista maranhense Luiz Pablo, ampliou a tensão política e institucional no Maranhão. A medida ocorreu poucos dias após a publicação da reportagem “Após denúncia, STF solicita carro do TJ-MA para Flávio Dino”, que questionava o suposto uso de uma Toyota SW4 blindada pertencente ao Tribunal de Justiça do Maranhão por familiares do ministro Flávio Dino quando ele está em São Luís.

Segundo a reportagem, no momento da denúncia não havia documento formal autorizando a cessão do veículo do Judiciário. O único registro tratava de apoio de segurança institucional por policiais militares, sem menção à liberação do carro. Após a repercussão, o próprio STF teria enviado ofício ao tribunal solicitando formalmente o veículo, o que levantou questionamentos sobre a regularidade do uso anterior.

O caso também repercutiu na Assembleia Legislativa do Maranhão. Em pronunciamento, o deputado estadual Yglésio Moyses associou a operação às reportagens publicadas pelo jornalista e criticou duramente a decisão.

O episódio ocorre em meio a um cenário de forte tensão política no estado, marcado pelo distanciamento entre o governador Carlos Brandão e um grupo político ligado a Flávio Dino. Nos bastidores, interlocutores afirmam que disputas políticas locais têm sido levadas ao campo judicial, com ações no STF envolvendo indicações para conselhos e cargos públicos — algumas sob relatoria do próprio Dino, incluindo decisão monocrática que mantém suspensa há quase dois anos a indicação de conselheiros para o Tribunal de Contas do Estado do Maranhão.

Nesse ambiente de judicialização da política, decisões do ministro Alexandre de Moraes também passaram a impactar diretamente a dinâmica estadual, com medidas que resultaram no afastamento de pessoas que ocupavam funções públicas há décadas sob alegações de nepotismo.

Outro episódio citado por aliados do governo foi o afastamento do então procurador-geral do Estado, Valdênio Nogueira Caminha, dois dias após ele apresentar ao STF manifestação em nome do governo pedindo a suspeição de Flávio Dino em ações envolvendo o Maranhão. Para muitos observadores, a operação contra o jornalista levanta sérias preocupações sobre liberdade de imprensa e tem claros ares de censura.

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