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Após encontro com Lula, Bolívia contraria Brasil e se coloca ao lado dos EUA para enquadrar CV e PCC como terroristas

O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, declarou que organizações criminosas como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) produzem uma forma de terrorismo. A posição contraria o governo brasileiro.

“O grau de classificação do terrorismo é múltiplo, é diverso, mas para nós, ter feito o que fizemos no dia a dia é central em nossa missão, contra o crime organizado, contra as máfias, mas contra o terrorismo, porque são parte de um ciclo de terrorismo”, afirmou Paz.

A inclusão do PCC e do CV na categoria de organizações terroristas é bandeira levantada pelo governo de Donald Trump, com quem o presidente boliviano se reuniu no início de março, durante a cúpula “Escudo das Américas” realizada em Miami.

Há ainda o receio de que o enquadramento das facções como terroristas seja explorado politicamente pela oposição durante a campanha eleitoral. O chanceler Mauro Vieira já havia manifestado a preocupação formalmente ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, em conversa telefônica.

O Departamento de Estado dos EUA havia oferecido recompensa de US$ 2 milhões por informações que levassem à sua prisão. Em nota publicada nas redes sociais, o Escritório de Assuntos Internacionais de Narcóticos e Aplicação da Lei do Departamento de Estado reportou: “O reinado de terror e caos de Sebastian Marset chegou ao fim. Graças à liderança do presidente Rodrigo Paz e à crescente cooperação entre as forças policiais dos EUA e da Bolívia, o notório narcotraficante Marset enfrentará a justiça. O Escudo das Américas está tornando nossa região mais segura e forte.”

Marset acumulava conexões diretas com o PCC. Em outubro de 2025, ele apareceu em vídeo com armas longas ao lado de pessoas encapuzadas exibindo símbolos da facção brasileira, ameaçando iniciar guerra na fronteira entre Brasil, Bolívia e Paraguai. As investigações apontam que ele coordenava o envio de cocaína da Bolívia para o Brasil e cultivava vínculos com a máfia ’Ndrangheta italiana, com carregamentos destinados à Europa. Em maio de 2025, Santa Cruz de la Sierra já havia sido palco da prisão de Marcos Roberto de Almeida, o Tuta, apontado como um dos chefes do PCC.

Ao ser questionado sobre sua postura de manter interlocução simultânea com Washington e Brasília, Paz alegou que a prioridade sempre será Bolívia. “Me preocupa mais que a Bolívia entenda seu novo papel. Se em oito dias a Bolívia pode estar com Trump e com Lula, deem um crédito à Bolívia.”

Lula, por sua vez, disse que “Brasil e Bolívia estão unidos na preocupação com a segurança pública” e que o acordo “renova nosso compromisso com o combate ao crime organizado dos dois lados da fronteira”. Os dois países também firmaram acordos sobre cooperação turística e interconexão elétrica entre o Departamento de Santa Cruz e Corumbá.

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