OPINIÃO: Está claro: em Bayeux falta articulação política — falta Adriano Martins

O protesto que acontece nesta sexta-feira em frente à Creche Municipal Yhasmina Pessoa, em Bayeux, revela muito mais do que a indignação de pais e mães preocupados com o futuro de seus filhos. O episódio escancara um problema político que há tempos se tornou visível na cidade: a ausência de articulação e de liderança capaz de equilibrar as relações institucionais dentro da Câmara Municipal de Bayeux.

As famílias se reúnem diante da creche para cobrar uma solução após a derrubada da medida provisória que viabilizava o funcionamento da unidade. A cena é simbólica. Pais protestando. Crianças no centro do debate político. A cidade assistindo a um impasse que poderia — e deveria — ter sido evitado.

É preciso dizer com clareza: o Legislativo não existe para ser subserviente ao Executivo. A independência entre os poderes é um dos pilares da democracia. Fiscalizar, questionar, discordar e até confrontar decisões do governo fazem parte da missão de qualquer Câmara Municipal. Mas independência institucional não significa conflito permanente. A boa política exige equilíbrio. Exige responsabilidade. Exige, sobretudo, capacidade de articulação. E é exatamente isso que parece faltar hoje em Bayeux.

Quando divergências políticas evoluem a ponto de produzir um cenário em que pais precisam protestar em frente a uma creche, algo claramente falhou na condução do processo político. Não se trata apenas de quem está certo ou errado no mérito da discussão. Trata-se da incapacidade de construir saídas que preservem o interesse público.

Nesse ponto, é impossível não lembrar da atuação de Adriano Martins. Ou alguém acha que sob a condução de Adriano, esse caos estaria acontecendo na Casa Severaque Dionísio?

Adriano nunca foi um político acomodado. Pelo contrário. Era firme, combativo e muitas vezes duro no debate. Sabia confrontar quando necessário. Sabia defender as prerrogativas do Legislativo. Sabia, sobretudo, exercer o papel de contraponto ao Executivo. Mas havia algo que o distinguia na política local: sua capacidade de articulação.

Adriano compreendia que divergência política não pode se transformar em paralisia institucional. Sabia tensionar quando era preciso, mas também sabia construir pontes. Sabia reunir forças divergentes em torno de soluções possíveis. Sabia, acima de tudo, colocar os interesses de Bayeux acima das disputas momentâneas da política.

Hoje, a cidade parece sentir falta exatamente desse tipo de liderança na Câmara. Falta alguém que conduza a Câmara com firmeza, mas também com responsabilidade institucional. Falta alguém que seja capaz de lembrar aos vereadores que o debate político pode ser duro — mas não pode perder o rumo do bem comum.

Porque, no final das contas, a política só faz sentido quando serve à população. E quando o resultado das disputas políticas termina em protestos diante de uma creche, envolvendo famílias e crianças, talvez seja hora de a classe política fazer uma reflexão sincera.

Bayeux precisa de fiscalização. Precisa de independência entre os poderes. Precisa de debate político. Mas precisa, acima de tudo, de maturidade, equilíbrio e articulação.

E, olhando para o que acontece hoje diante daquela creche, uma conclusão parece inevitável: em Bayeux, especialmente na Câmara, está faltando articulação. Está faltando alguém que saiba construir pontes.

Está faltando Adriano Martins. Mas Adriano não voltará e quem vai assumir de verdade, o necessário posto de articulador pelo bem de Bayeux? Qual parlamentar deixará os extremos de lado e buscará o diálogo capaz de derrubar muros e construir pontes?

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