A política é a arte da oportunidade, mas, sobretudo, do timing. O resultado da convenção da Federação PSOL-Rede na Paraíba, que aprovou por 8 a 4 o apoio à reeleição do governador Lucas Ribeiro (PP), foi um duro, mas já esperado golpe para as pretensões majoritárias de Olímpio Rocha. Embora a reação imediata tenha sido o recurso à instância nacional do partido, os números da convenção expõem uma realidade indigesta e demandam uma reflexão mais profunda dos seus aliados e conselheiros.
Insistir em uma candidatura ao Governo do Estado, em uma disputa declaradamente difícil e com o palanque do presidente Lula já devidamente assegurado no arco de alianças de Lucas Ribeiro, atende mais à manutenção de uma postura de resistência do que a um projeto real de ocupação de poder. O discurso de que é preciso ser candidato para “garantir o palanque de Lula” perde sustentação diante da pragmática nacional do próprio PT e do governo federal.
Por outro lado, o processo até aqui não foi em vão: Olímpio conquistou visibilidade, ocupou espaço na imprensa e se consolidou perante a opinião pública como a voz de uma esquerda mais arraigada, fidedigna aos preceitos ideológicos e contrária às pragmáticas alianças de ocasião, como o alinhamento com o PP.
É exatamente nessa identidade que reside o maior ativo político de Olímpio neste momento.
O capital político para a Assembleia Legislativa
Se decidir redirecionar sua energia e recuar da corrida majoritária, Olímpio Rocha tem em mãos as credenciais perfeitas para se tornar um dos nomes mais fortes da esquerda para a Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB).
Ao se posicionar como o militante coerente que combateu a adesão da federação ao projeto do PP, ele se torna o polo natural de atração para o eleitorado progressista mais exigente e passa a canalizar o voto do “esquerdistas raiz”: militantes do PSOL, quadros da Rede, petistas descontentes com os rumos das alianças locais e simpatizantes de outras legendas do campo progressista que buscam uma representação autêntica no Legislativo.
Uma vaga na ALPB para um perfil combativo, qualificado e ideologicamente bem posicionado como o de Olímpio não é um “prêmio de consolação”; ao contrário, é uma construção real de poder e de voz para a esquerda paraibana.
O momento, portanto, é de pé no chão. Seus partidários, amigos e conselheiros mais próximos têm a missão de ajudá-lo a enxergar que capitalizar o desgaste da convenção em uma pré-candidatura sólida a deputado estadual pode ser a virada de chave para consolidá-lo, de fato, como uma das principais lideranças da nova esquerda no estado.
O dilema de Olímpio: Recuo tático ou aposta de risco?
No fim das contas, o xadrez político coloca Olímpio Rocha diante de uma encruzilhada decisiva para o seu futuro.
Se optar pela ponderação e pelo pragmatismo, compreendendo o momento e redirecionando suas forças para a Assembleia Legislativa, Olímpio pode se projetar como o grande vencedor da esquerda paraibana nesta eleição. Sairá do processo com a imagem de líder coerente, fortalecido pelo desgaste do debate e pronto para converter essa projeção em um mandato representativo na ALPB, onde sua voz fará a diferença.
Por outro lado, se decidir recrudescer e insistir na disputa majoritária a qualquer custo, corre o risco de obter uma “vitória de Pirro”. Pode até conseguir reverter o resultado na direção nacional da federação e registrar sua candidatura ao Governo, mas deixará passar um verdadeiro “cavalo selado” na disputa proporcional. Entrará em uma campanha dura, com estrutura reduzida e com o eleitorado pragmático já canalizado na base do governo, queimando um capital político precioso que poderia ter destino certo no Legislativo.
A decisão que se avizinha vai além de um registro de candidatura: trata-se de escolher entre uma sinalização ideológica de curto prazo ou a consolidação real de uma liderança de esquerda para os próximos anos na Paraíba.



