A disputa pela presidência da Câmara de Bayeux ganhou um novo capítulo nesta terça-feira (20). Vereadores da oposição apresentaram propostas para adequar as regras da eleição da Mesa Diretora, justamente um dos pontos que levaram à suspensão judicial do pleito. Apesar disso, nenhum integrante da bancada governista subscreveu as matérias, incluindo Nôquinha, autor da ação que paralisou a votação.
A pauta registra duas iniciativas: o Projeto de Resolução nº 4/2026, que altera os artigos 18, 19, 20 e 23 do Regimento Interno, e o Projeto de Emenda à Lei Orgânica nº 2/2026, que modifica o parágrafo 4º do artigo 25. Ambas buscam estabelecer o período de realização da eleição para o segundo biênio. Os documentos aparecem na fase de leitura, ainda sem aprovação.
Assinam as propostas Jays de Nita, Nildo da Casa Branca, Eloah Felinto, Marcelo Bandeira, Adriano do Táxi, Cabo Rubem, França, Nildo de Inácio e Pastora Anunciada. Durante a sessão, Nildo chegou a franquear a palavra ao líder do governo para que orientasse a bancada a aderir às matérias e apoiar sua aprovação. O apelo, porém, não resultou na inclusão de assinaturas governistas.
O contraste está no próprio fundamento da suspensão. Na sexta-feira (16), o juiz Francisco Antunes Batista determinou que uma nova eleição para o biênio 2027/2028 somente ocorra após a adequação do Regimento Interno aos parâmetros estabelecidos pelo Supremo Tribunal Federal. A decisão atendeu à ação de Nôquinha e impediu a votação prevista para domingo (18).
Agora, a oposição assume a iniciativa de modificar as normas, enquanto os vereadores da situação permanecem fora da autoria das propostas. A ausência de assinaturas não equivale a voto contrário, mas evidencia que, nesta etapa, o movimento para enfrentar o entrave regimental partiu exclusivamente dos adversários do grupo governista.
A apresentação das matérias não libera automaticamente a eleição. As propostas precisam cumprir a tramitação, e o registro na pauta, sem os textos integrais, não permite concluir que todas as exigências judiciais estejam atendidas. Politicamente, entretanto, a iniciativa coloca a bancada de situação diante de uma cobrança: qual posição adotará sobre as mudanças nas regras que ela própria questionou na Justiça?



