Cientista político afirma que bolsonarismo avançou sobre o Centrão no Congresso e cobra educação política: “É fácil, na democracia, defender a ditadura”

A disputa entre o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL–RJ) voltou a colocar no centro do debate a relação entre democracia, conservadorismo e forças políticas do Congresso. Durante o programa Senso Crítico, da FGTV e MRTV, nesta segunda-feira (26), o professor e cientista político Gonzaga Junior avaliou que o bolsonarismo avançou sobre o Centrão e defendeu maior formação política da população.

“Eu só acrescentaria aí o centro, o Centrão, que, neste momento, inclusive, foi reduzido, porque o bolsonarismo avançou sobre ele”, afirmou. Na avaliação do professor, o grupo costuma se aproximar de quem está no poder, enquanto sua atuação política permanece vinculada à direita e aos próprios interesses.

Gonzaga Junior também apontou a falta de educação política como um obstáculo à compreensão do funcionamento da democracia no país. “Temos quase 40 anos de democracia, e ainda não aprendemos a conviver com ela nem a compreender o que isso significa propriamente”, declarou durante a análise.

Ao comentar a polarização eleitoral, o cientista político afirmou que uma parcela expressiva dos brasileiros apoiou um projeto que considera antidemocrático. A declaração foi feita após o segundo turno presidencial, que terminou com a vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro, em uma disputa marcada pelo confronto entre os dois campos políticos.

“É fácil, na democracia, defender a ditadura. Quero ver defender a democracia quando se está vivendo em uma ditadura”, disse Gonzaga Junior. A fala resume a preocupação apresentada pelo professor com a defesa das instituições democráticas e com os efeitos da polarização sobre a compreensão dos limites do poder político no Brasil.

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