A frase dita pela presidente da Câmara de Bayeux, Jays de Nyta — “Aqui não é Adriano Martins” — gerou forte repercussão na política local. E, de certo modo, é preciso reconhecer: realmente não é Adriano Martins.
Quem conviveu com Adriano Martins sabe qual era sua postura na vida pública. Adriano era um vereador aguerrido, firme em suas posições e combativo quando necessário. Mas nunca confundiu firmeza com desrespeito.
Com os colegas parlamentares, mantinha uma relação de franqueza e lealdade. Os debates podiam ser duros, mas sempre dentro do campo do respeito institucional.
Com a imprensa, mantinha diálogo aberto. Entendia o papel dos veículos de comunicação como instrumentos legítimos de fiscalização e informação à sociedade.
E, acima de tudo, tinha clareza sobre o verdadeiro significado de exercer um mandato. Adriano costumava lembrar que vereadores, prefeitos e gestores são empregados do povo. Essa visão guiava sua atuação política e sua luta constante em favor das comunidades de Bayeux.
É por isso que a memória de um homem público precisa ser preservada. A política admite divergências e embates, mas há um limite que não deve ser ultrapassado: o desrespeito à memória de quem já partiu e não pode mais se defender.
Quando isso acontece, não se atinge apenas a pessoa que se foi. Atinge-se também sua família, seus eleitores e a própria instituição que ele ajudou a construir.
Jays de Nyta ainda é jovem na política e tem tempo para aprender uma lição fundamental: é possível fazer política com firmeza sem atacar a memória de quem já não está aqui, especialmente quando esse alguém foi aliado.
Respeitar a história de figuras públicas é sinal de maturidade política. Bayeux precisa exatamente disso: mais responsabilidade, mais respeito institucional e mais consciência sobre o peso das palavras de quem ocupa cargos públicos.



