A recente prisão de um porteiro de uma escola infantil em João Pessoa, suspeito de cometer crimes de violência sexual contra mulheres, traz à tona a urgência de uma discussão amadurecida sobre a responsabilidade individual e a preservação das instituições. O caso, de gravidade incontestável, exige das autoridades uma punição exemplar ao criminoso. Contudo, impõe à sociedade um freio indispensável: a opinião pública não pode, e não deve, de modo algum, ser instrumentalizada para massacrar o Colégio e sua direção, tratando-as como se fossem os próprios autores do crime.
É imperioso separar a pessoa física do criminoso da pessoa jurídica da instituição de ensino. O Colégio em questão goza de anos de atuação ilibada na capital paraibana, tendo construído uma trajetória pautada no respeito, na ética e no cuidado absoluto com a infância. É inadmissível e inconsequente deduzir, por mera inferência ou calor do momento, que haveria qualquer conivência da direção com o crime. Lançar mão da honra, da reputação e do respeito que essa instituição conquistou ao longo de décadas para alimentar o linchamento virtual é de uma injustiça atroz. Trata-se de um patrimônio moral que não pode ser jogado na fogueira das redes sociais.
Obviamente, o Colégio não está imune aos desdobramentos dos fatos. Como guardiã de um espaço de formação cidadã, cabe a instituição o dever absoluto de colaborar irrestritamente com as investigações da Polícia Civil, fornecendo imagens de monitoramento e facilitando a oitiva de funcionários, como já vem fazendo. Mais do que isso, o momento exige o aperfeiçoamento constante de seus canais de comunicação interna e externa. Demonstrar lisura, transparência e uma postura institucional firme é o caminho para blindar a verdade e acolher a comunidade escolar. Vale ressaltar, inclusive, que o próprio delegado do caso foi categórico: não há qualquer indício de atos cometidos contra os alunos da instituição.
O aspecto mais alarmante desse cenário é a pressa cega nos julgamentos públicos, que se transformou em uma máquina impiedosa de soterrar reputações. Vivemos tempos perigosos, onde o veredito da internet é emitido em minutos, destruindo legados inteiros antes mesmo que a justiça tenha a chance de analisar os fatos. Esse linchamento sumário destrói a história de empresas, escolas e indivíduos de forma irreversível.
O perigo dessa barbárie digital não é hipotético; ele destrói vidas reais. O exemplo recente da idosa de Bayeux é o retrato fiel dessa tragédia: um vizinho foi linchado publicamente com base em boatos e, mais tarde, os exames periciais comprovaram que a senhora havia morrido de causas naturais. O erro da pressa, em muitos casos, é fatal e irrecuperável.
A dor e a indignação diante de crimes sexuais são legítimas e necessárias para que o culpado seja punido. Contudo, canalizar essa revolta contra a instituição — que também foi vítima da quebra de confiança de um colaborador — é um erro crasso e covarde. Defender a escola e sua direção contra o massacre público não é relativizar o crime; é defender a própria justiça. Deixemos que a polícia investigue e que o verdadeiro culpado pague, preservando a integridade daqueles que sempre trabalharam pela educação e proteção em nossa sociedade.



