O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, desde que reside nos Estados Unidos, não se cansa de colecionar discussões e embates públicos com aliados de primeira linha do seu pai. Falo de pessoas que durante todo tempo, estiveram ao lado de Jair.
O episódio mais recente envolvendo o deputado federal Nikolas Ferreira, ilustra bem essa dinâmica. Ao reagir de forma dura a um gesto considerado trivial nas redes sociais, Eduardo elevou o tom e transformou uma discordância pontual em um conflito público de grandes proporções. O problema não está apenas no episódio em si, mas no padrão que começa a se repetir: respostas atravessadas, acusações de deslealdade e ataques direcionados a figuras que, em tese, estariam do mesmo lado político.
Essa postura beligerante contrasta com a necessidade de coesão dentro de um projeto eleitoral mais amplo. Em vez de concentrar energia no embate contra adversários políticos, como presidente Lula e a esquerda, parte do debate tem sido deslocada para conflitos internos. Nesse ambiente, lideranças que deveriam estar alinhadas acabam expostas a desgastes públicos que em nada contribuem para fortalecer o campo político que representam.
O senador Flávio Bolsonaro, inclusive, precisou intervir pedindo racionalidade e união entre aliados, numa tentativa de conter o clima de confronto. A atitude deixa claro que enquanto alguns tentam construir pontes, outros parecem empenhados em aprofundar fissuras. Para quem busca viabilizar um projeto presidencial, a imagem de um grupo dividido pode se tornar um obstáculo relevante.
A política exige firmeza, mas também maturidade estratégica. A insistência em disputas públicas, muitas vezes carregadas de tom pessoal, acaba transmitindo uma sensação de amargura e ressentimento que não ajuda a ampliar apoios. Quando isso parte de uma figura com grande visibilidade e influência nas redes, o impacto tende a ser ainda maior.
No fim das contas, a pergunta que começa a surgir nos bastidores da própria direita é simples: até que ponto essa postura combativa, voltada inclusive contra aliados, ajuda ou atrapalha o projeto político que o grupo pretende construir? Mais ainda é preciso perguntar: Até quando Eduardo Bolsonaro queimará a direita com seu fogo de amargura?
Porque, se as crises internas continuarem a ter como epicentro as reações de Eduardo Bolsonaro, o risco é que o chamado “fogo amigo” passe a ser um dos maiores obstáculos para as ambições eleitorais do próprio campo conservador.



