É de uma beleza cênica quase comovente ver a esquerda cirandeira paraibana tentar reinventar a roda enquanto tropeça nos próprios cadarços. De um lado, temos o pré-candidato a governador pelo PSOL, Olímpio Rocha, com o peito estufado, bradando aos quatro ventos que tem o “apoio nacional”, que o verdadeiro palanque de Lula na Paraíba é o dele e que vai até as últimas consequências. Do outro, a Federação PSOL/Rede, na figura da presidente Cristiana Almeida (aquela simpática aliada do Palácio da Redenção), puxando o tapete com a delicadeza de um trator desgovernado e sugerindo que o ilustre advogado mude de ideia e dispute uma vaguinha para deputado federal.
O enredo tem tanto drama, tanta contradição e tanto suco de fossa de bastidor que faria inveja a qualquer novela Mexicana.
O correio elegante do desespero e a fantástica fábrica de ilusões
A bem da verdade, o cenário já começou tragicômico quando veio à tona a cartinha em que o próprio Olímpio chora pitangas, implorando recursos ao partido e confessando que tira do próprio bolso para pagar o combustível da pré-campanha. É o “socialismo de tanque cheio” bancado no Pix pessoal! Com esse nível de infraestrutura, o QG da campanha deve funcionar à base de muita fé (ou não, já que o marxismo é ateu) e sanduíche de mortadela.
Ainda assim, o moço endureceu o tom, jurou lealdade canina ao lulismo e avisou que não arredará pé. Mas fica a pulga atrás da orelha (ou o elefante na sala): o que diabos pensam as direções estaduais e nacionais do PSOL diante desse muro de contenção erguido pela Rede? Se a cúpula nacional apoia o delírio majoritário, por que a patota da Federação no Estado insiste em podar o camarada? Onde estão Boulos e Erundina que não dizem nada?
Os interesses, o silêncio sepulcral e a esquerda de faz de conta
Aqui o baú dos segredos começa a feder. Que interesses reais movem essa tentativa de conversão forçada para deputado federal? Seria o medo paralisante de perder o reboque do poder estadual ou a ânsia incontrolável de acomodar conveniências arranjadas nos gabinetes?
Cristiana Almeida garante que houve “diversas conversas” para dobrar o cabeça-dura do Olímpio. Ora, alguém está mentindo na cara dura. Se as conversas existiram e ele sabia, por que insistiu em tocar um projeto independente à revelia? E se é balela, por que o homem não desmente a patroa da Federação com a mesma valentia com que usa o microfone para falar de Lula?
Enquanto isso, o andar de cima do partido assiste ao incêndio com um pacote de pipoca na mão. Onde andam Mônica Vilaça e Edinho Mendes, respectivamente presidente e vice do PSOL paraibano? Estão em silêncio sepulcral, em retiro espiritual ou ocupados demais tentando entender se o partido ainda existe fora das redes sociais? Ou estariam esperando uma intervanção do ‘alto’?
Goela abaixo e o deserto de quadros
A militância raiz, aquela parcela do PSOL que ainda acredita em tese marxista e odeia arranjos de cúpula, vai engolir um eventual veto goela abaixo sem chiar? A queda da candidatura de Olimpio garante apoio a Lucas, como quer a moça do Rede ou causará debandata de revoltos? Difícil saber muita coisa, exceto que o estresse na base promete cenas lamentáveis nos próximos capítulos.
Para piorar a comédia, fica a pergunta incômoda: o PSOL e a Rede têm, de fato, nomes de peso para uma disputa federal competitiva, ou estão apenas jogando xadrez com peças de Dama? Sem dinheiro no caixa do partido, sem estrutura e com fogo amigo vindo da própria coligação, a cruzada de Olímpio Rocha parece menos uma alternativa de poder e mais um ato de resistência solitária daquele que, no fim, está sendo tratado como alguém que apenas serve para animar o grupo do WhatsApp da faculdade.



