Durante décadas, muitas pessoas colocaram a carreira, o trabalho e a família em primeiro lugar. A alimentação desorganizada, o sedentarismo, o estresse e as poucas horas de sono acabaram ficando em segundo plano. Com o passar dos anos, porém, o corpo começa a apresentar a conta.
Aos 40, 50 anos ou mais, é comum perceber aumento da gordura corporal, principalmente na região abdominal, redução da massa muscular, perda da dispiosição, alterações no sono e queda da performance física. “Na maior parte dos casos, são alterações relacionadas à saúde metabólica e hormonal.. Mas reconhecer essas mudanças não significa aceitar que elas fazem parte obrigatoriamente do envelhecimento.
Para o médico Dr. Breno Bonfim, pós-graduado em medicina de família e comunidade e pós-graduando em medicina do esporte, que também trabalha com nutrologia e tem vasta experiência em tratamentos hormonais, existe uma diferença importante entre envelhecer e simplesmente acumular os efeitos de anos de hábitos que prejudicaram a saúde. “O passado não pode ser apagado, mas podemos mudar a trajetória dos próximos anos” , explica.
Segundo Breno Bonfim, o processo de emagrecimento nessa fase da vida precisa considerar não apenas a redução do peso, mas principalmente a composição corporal e a preservação da massa muscular. Perder gordura sem perder músculo é um dos principais objetivos. A redução do número apresentado pela balança nem sempre significa uma melhora completa da saúde. Para quem passou dos 40, preservar ou recuperar massa muscular ganha ainda mais importância.
A massa muscular está relacionada à força, mobilidade, autonomia e capacidade funcional. Por isso, estratégias de emagrecimento muito restritivas podem ser inadequadas quando não levam em consideração a necessidade de preservar músculos. “O objetivo não deve ser simplesmente pesar menos. Precisamos buscar um corpo mais saudável, com menos gordura e uma quantidade adequada de massa muscular” , destaca o Dr. Breno Bonfim.
A gordura abdominal também merece atenção. O excesso de gordura na região está associado a alterações metabólicas e pode acompanhar quadros como resistência à insulina, diabetes tipo 2, alterações nos níveis de colesterol e aumento do risco cardiovascular. Por isso, reduzir a circunferência abdominal pode representar muito mais do que uma questão estética.
Exercício passa a ter papel ainda mais importante
Quando o objetivo é emagrecer e preservar massa muscular, a atividade física precisa fazer parte da estratégia. O treinamento de força, por exemplo, ajuda a estimular a manutenção e o desenvolvimento da massa muscular. Já os exercícios aeróbicos contribuem para o condicionamento cardiorrespiratório e o gasto energético.
A recomendação, entretanto, deve considerar a condição individual de cada pessoa, principalmente para quem está retornando à atividade física depois de anos de sedentarismo. Na visão de Breno Bonfim, não existe uma única estratégia capaz de produzir resultados sustentáveis para todas as pessoas. “Cada paciente chega com uma história, uma rotina, uma composição corporal e necessidades diferentes. O tratamento precisa respeitar essas diferenças ”, afirma.
Sono e alimentação também fazem parte do tratamento
Quem busca emagrecer depois dos 40 muitas vezes concentra toda a atenção na alimentação e esquece outros fatores que interferem diretamente na saúde. O sono inadequado, por exemplo, pode prejudicar disposição, recuperação física, controle da fome e capacidade de manter uma rotina de exercícios.
A alimentação também precisa ser analisada de forma individualizada. Mais do que simplesmente cortar alimentos, o planejamento deve buscar qualidade nutricional, ingestão adequada de proteínas, fibras, vitaminas e minerais e uma rotina que possa ser mantida no longo prazo. Para o Dr. Breno Bonfim, mudanças sustentáveis são mais importantes do que estratégias extremas que produzem resultados rápidos, mas difíceis de manter.
Avaliação hormonal pode ser indicada em alguns casos
As mudanças hormonais também podem fazer parte da investigação de pacientes que apresentam determinados sintomas. Queda de disposição, alterações na composição corporal, redução da performance e outras manifestações podem justificar uma avaliação médica. Isso não significa, porém, que toda pessoa acima dos 40 anos precise fazer reposição hormonal. A avaliação deve ser individualizada e baseada na história clínica, nos sintomas, no exame físico e, quando necessário, em exames laboratoriais. A indicação de qualquer terapia depende da análise médica do caso.
Breno Bonfim ressalta que esse acompanhamento deve fazer parte de uma avaliação ampla do paciente, e não ser tratado como uma solução isolada para o envelhecimento ou para a perda de peso.
Medicamentos também podem fazer parte do tratamento
Nos últimos anos, o tratamento do excesso de peso e da obesidade ganhou novas possibilidades com medicamentos que atuam em mecanismos relacionados ao controle do apetite e do metabolismo. Esses recursos podem ser indicados para determinados pacientes, mas não devem ser tratados como atalhos ou soluções universais.
A escolha do medicamento, quando houver indicação, depende da avaliação médica, das características do paciente, dos objetivos do tratamento, das contraindicações e do acompanhamento dos resultados. “O medicamento pode ser uma ferramenta importante quando existe indicação, mas ele não substitui alimentação adequada, exercício, sono e acompanhamento médico”, explica.
Aos 40, 50 anos ou mais, ainda dá tempo
A ideia de que depois dos 40 anos é tarde para mudar o corpo e recuperar qualidade de vida não corresponde à realidade. É possível reduzir gordura corporal, preservar ou recuperar massa muscular, melhorar o condicionamento físico, organizar a alimentação, dormir melhor e acompanhar fatores relacionados à saúde metabólica.
O mais importante é abandonar a lógica de que uma mudança precisa acontecer de uma só vez. Para quem passou os últimos anos priorizando trabalho, carreira e família, começar a cuidar de si pode representar uma mudança profunda. Não se trata de voltar aos 20 anos, mas de construir uma versão mais saudável do próprio corpo para as próximas décadas.
Na avaliação do Dr. Breno Bonfim, o envelhecimento não precisa ser encarado como uma sentença de perda de disposição, força e qualidade de vida. “Não podemos apagar os anos que passaram. Mas podemos cuidar melhor dos anos que estão pela frente” , resume.
O emagrecimento após os 40, portanto, deve ser compreendido como parte de um processo mais amplo de cuidado com a saúde. Mais do que perder peso, a proposta é melhorar a composição corporal, proteger a massa muscular, controlar fatores metabólicos e recuperar disposição para viver melhor.
E nunca é tarde para começar.



