Pré-candidato ao Governo da Paraíba quebra o silêncio, rebate teses de cúpula, expõe proposta de chapa que foi ignorada por Cristiana Almeida e aponta bastidores envolvendo o clã Ribeiro.
A bacia das almas da política paraibana ganhou novos e quentes desdobramentos nas últimas horas. Após a circulação de artigos e debates intensos nos bastidores sobre os rumos da Federação PSOL/Rede, o pré-candidato ao Governo do Estado pelo PSOL, Olímpio Rocha, decidiu romper o silêncio e colocar os pingos nos “is”.
Em nota enviada com exclusividade à nossa redação em resposta às recentes repercussões públicas e ao artigo de Caco Pereira sobre o embróglio, Olímpio foi duro, desmentiu versões de cúpula, escancarou o xadrez das alianças locais e cravou: sua candidatura majoritária segue firme e inegociável, sustentada pelo aval da direção nacional do PSOL.
O mito das “várias conversas” e a tentativa de conversão
Um dos pontos nevrálgicos revelados por Olímpio diz respeito à narrativa de que a direção da Federação estaria em diálogo contínuo para convencê-lo a mudar de rota. Segundo o pré-candidato, a realidade dos fatos é bem diferente da versão oficial ventilada por aliados.
“Nunca houve ‘várias conversas’ para que eu fosse candidato a deputado federal. Houve apenas uma conversa, semana passada, com Cristiana, Gerson, Eduarda e Paulo Lamac, todos da Rede, na qual foi sugerido que a Rede apoiaria uma eventual candidatura minha à Câmara dos Deputados caso eu abrisse mão da candidatura ao Governo da Paraíba”, esclarece.
Olímpio afirma que declinou da oferta por lealdade ao projeto que vem pavimentando há meses com a militância, destacando que uma guinada à federal nesta altura do campeonato careceria de base eleitoral sólida. No entanto, o político foi além nos bastidores. Ele afirma que chegou a convidar a própria Cristiana Almeida para compor sua chapa como candidata a vice-governadora ou ao Senado Federal, convite este que acabou recebendo como resposta um silêncio sepulcral.
O pragmatismo da Rede e o “fantasma” do primeiro turno
Demonstrando serenidade cirúrgica com os movimentos da aliada Federação, Olímpio pontuou que a Rede tem um histórico de pragmatismo eleitoral na Paraíba, lembrando os apoios dados a João Azevêdo (em 2022) e a Johnny Bezerra em Campina Grande (em 2024), mesmo quando o PSOL apresentava candidaturas próprias. Para ele, o direito de escolha é livre, desde que não sirva de instrumento para soterrar a chapa majoritária do partido.
Mas o buraco é mais embaixo, e o pré-candidato aponta pressões de peso nos bastidores da política estadual: “Segundo esses relatos, haveria pressão de Agnaldo Ribeiro sobre o sobrinho, que não teria poder de mando, para que eu não dispute o Governo da Paraíba. As informações que chegam até mim indicam que isso ocorreria porque entendem que nossa candidatura ocupa um espaço importante da esquerda e pode impedir uma eventual vitória em primeiro turno, já que temos condições de alcançar, no mínimo, cerca de 5% das intenções de voto.”
O temor do bloco governista e de aliados, na visão de Olímpio, também passaria pelos palcos dos debates televisivos, onde ele promete colocar o dedo em feridas sensíveis da atual gestão, cobrando concursos públicos, criticando a escassez de obras estruturantes e destrinchando as fragilidades políticas do vice-governador Lucas Ribeiro.
Sem dinheiro, mas com palavra
Questionado sobre as barreiras financeiras e as tentativas de desestabilização via escassez de recursos para o executivo estadual, o postulante ao Palácio da Redenção minimizou o caixa magro e reafirmou seu pacto com a base:
“Nossa candidatura nunca foi construída em função de recursos financeiros. Foi construída por convicção política e por compromisso com milhares de pessoas que acreditaram na nossa palavra. Se for necessário fazer uma campanha com poucos recursos, nós faremos.”
A Nota na Íntegra
Abaixo, transcrevemos na íntegra a manifestação oficial enviada por Olímpio Rocha:
“É importante esclarecer alguns fatos para que não se criem narrativas que não correspondem ao que realmente aconteceu.
Nunca houve “várias conversas” para que eu fosse candidato a deputado federal. Houve apenas uma conversa, semana passada, com Cristiana, Gerson, Eduarda e Paulo Lamac, todos da Rede, na qual foi sugerido que a Rede apoiaria uma eventual candidatura minha à Câmara dos Deputados caso eu abrisse mão da candidatura ao Governo da Paraíba.
Agradeci a proposta, mas deixei claro que não poderia aceitá-la. Estou há meses construindo essa candidatura, percorrendo a Paraíba, dialogando com a militância e assumindo publicamente esse compromisso. Desistir agora seria trair a confiança de quem acreditou na minha palavra. Além disso, a esta altura, uma candidatura a deputado federal não teria tempo para construir uma base eleitoral consistente para além do voto de opinião.
Também considero absolutamente legítimo que a Rede tenha preferência por outra candidatura ao Governo. A Rede é livre para apoiar quem entender mais adequado. Isso, inclusive, já aconteceu em outras eleições. Em 2022, apoiou João Azevêdo mesmo com a candidatura própria do PSOL, representada por Adjany Simplício. Em 2024, em Campina Grande, apoiou Johnny Bezerra mesmo com a candidatura de Nelson Júnior pelo PSOL. Da mesma forma, respeito que integrantes da Rede prefiram apoiar Lucas Ribeiro. Por کیا۔ que podem apoiar Lucas, só não podem barrar nossa candidatura.
Ao mesmo tempo, tenho recebido informações de bastidores sobre tentativas de inviabilizar a nossa candidatura. Segundo esses relatos, haveria pressão de Agnaldo Ribeiro sobre o sobrinho, que não teria poder de mando, para que eu não dispute o Governo da Paraíba. As informações que chegam até mim indicam que isso ocorreria porque entendem que nossa candidatura ocupa um espaço importante da esquerda e pode impedir uma eventual vitória em primeiro turno, já que temos condições de alcançar, no mínimo, cerca de 5% das intenções de voto. Também haveria preocupação com os debates eleitorais, pois é neles que pretendo discutir temas que considero fundamentais para a Paraíba, como a necessidade de realização de concursos públicos, a ausência de obras estruturantes do atual governo, a condução política da administração estadual, apontar as fragilidades de Lucas e outros assuntos de interesse da população.
Também chegaram informações de que estariam tentando desestimular nossa candidatura afirmando que não haveria recursos para uma campanha ao Governo, mas apenas para uma eventual candidatura a deputado federal. Isso não muda absolutamente nada. Nossa candidatura nunca foi construída em função de recursos financeiros. Foi construída por convicção política e por compromisso com milhares de pessoas que acreditaram na nossa palavra. Se for necessário fazer uma campanha com poucos recursos, nós faremos.
Por fim, a decisão sobre a candidatura majoritária não depende da vontade isolada de um partido estadual. A Federação possui instâncias próprias de deliberação e, na esfera nacional, o PSOL detém a maioria. Em resumo, só deixarei de ser candidato ao Governo da Paraíba se o próprio PSOL, que possui a maioria na Federação Nacional, mudar seu entendimento.
Seguirei firme até o fim. Não vou desistir por pressão política, por especulações de bastidores ou por questões financeiras. Fiz um compromisso com a militância e com o povo paraibano, e a minha palavra eu cumpro.”



