Marcelo Bandeira adere ao grupo que acusou de ameaças e ofertas financeiras após prometer lealdade a Jays; vídeo

Marcelo Bandeira Neto terá de explicar sua mudança de lado em Bayeux à luz das próprias palavras. Antes de aparecer ao lado do grupo situacionista, o vereador usou a tribuna para denunciar ameaças, relatar ofertas financeiras que superariam os salários de três mandatos e garantir que a oposição não se venderia. Também defendeu a presidente da Câmara, Jays de Nita, e reafirmou seu compromisso com a candidatura dela ao comando da Casa.

“Nós não vamos nos vender”, declarou Marcelo ao relembrar uma reunião dos oposicionistas. Segundo ele, o grupo estava disposto a perder a eleição da Mesa Diretora sem abandonar sua posição. O parlamentar associou essa decisão à honra e afirmou que permaneceriam juntos mesmo sem votos suficientes para vencer. Ao aderir agora à situação, coloca em xeque o compromisso que apresentou publicamente como uma questão de princípios.

As acusações feitas naquele discurso foram graves. Dirigindo-se a Jays, Marcelo afirmou que os demais oposicionistas também haviam enfrentado “ameaças no oculto” e tentativas de compra. Depois, relatou propostas financeiras que classificou como gigantescas. “Se juntar três mandatos de vereador”, disse, os salários não alcançariam o valor das ofertas que, segundo ele, o grupo rejeitava para não mudar de lado. “Não é o dinheiro que vai nos tirar daqui”, assegurou.

A defesa de Jays foi igualmente enfática. Marcelo sustentou que a presidente não havia traído o grupo governista, mas que o próprio grupo a teria traído. Criticou promessas de presidência feitas a vários vereadores e dirigiu à parlamentar uma garantia expressa: “Eu quero reafirmar aqui, Jays, que você é a nossa candidata para presidente desse segundo biênio.” Também afirmou que a oposição não fazia política pelo poder e que tentavam manchar a lealdade do bloco.

Agora, Marcelo se junta ao grupo cujas práticas condenou. A contradição não está apenas na troca de bancada. Está no uso da honra, da lealdade e da resistência ao dinheiro como argumentos para sustentar uma posição que ele próprio abandonou. Se mudou sua avaliação sobre a gestão, precisa explicar o que mudou. Se mantém as denúncias, precisa esclarecer como passou a integrar o grupo ao qual atribuía condutas tão graves.

A adesão não comprova recebimento de dinheiro, mas tampouco apaga o discurso. Marcelo deve explicações sobre as ofertas e ameaças que relatou, sobre a promessa feita a Jays e sobre os motivos de sua mudança. Quem levou à tribuna um compromisso de honra não pode esperar que o eleitor trate suas palavras como se nunca tivessem sido ditas.

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