O Partido Liberal (PL) está dividido sobre o posicionamento que adotará na disputa pela presidência da Câmara dos Deputados em 2027. Após lançar o senador Rogério Marinho (PL-RN) para concorrer ao comando do Senado, a legenda discute se apoiará a reeleição de Hugo Motta (Republicanos-PB) ou apresentará um candidato próprio. O tema foi debatido nesta terça-feira (3), em reunião com o presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, e lideranças da bancada.
Uma ala do PL defende a composição com Motta e argumenta que ficar fora do bloco articulado pelo atual presidente da Câmara pode deixar o partido sem espaço nas principais comissões da Casa. Segundo projeções de técnicos da Câmara citadas na reportagem, o PL teria apenas a 16ª escolha de colegiados caso não participe do grupo. Por outro lado, se integrar o bloco, poderá ter preferência na indicação para as três primeiras comissões, em razão de ter conquistado a maior bancada para a próxima legislatura. Um parlamentar que participa das conversas avalia que lançar uma candidatura própria seria apenas um gesto político, com risco de deixar a sigla sem protagonismo durante os dois anos de comando da Casa.
O grupo contrário à composição, porém, defende que o PL apresente um nome próprio, mesmo que não vença a eleição. Entre os argumentos está o desgaste político de dividir o mesmo bloco com o PT, que já anunciou apoio à reeleição de Motta. Deputados dessa ala também consideram que as comissões perderam influência nos últimos anos, diante do uso frequente de requerimentos de urgência que levam propostas diretamente ao plenário. O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) manifestou apoio à candidatura própria e citou Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP) e Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) como possíveis nomes. Para ele, a posição política do partido deve ter peso maior do que os espaços nas comissões.
A discussão também é influenciada pela experiência do PL no Senado em 2023, quando Rogério Marinho disputou a presidência contra Rodrigo Pacheco e acabou derrotado, ficando sem espaço na Mesa Diretora e nas comissões. A ala favorável ao acordo com Motta usa o episódio como argumento para evitar um novo isolamento. A bancada do PL deve se reunir na próxima quarta-feira (11) para definir se apoiará o atual presidente da Câmara ou lançará candidatura própria. Enquanto isso, o PT articula a permanência no bloco de apoio a Motta e parte dos deputados petistas defende que o PL fique de fora da composição.


